
Por Maria Salas
Professores e servidores administrativos das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs) entram em greve nesta terça-feira (15), em uma paralisação que deve atingir unidades de todo o Estado de São Paulo. No Alto Tietê, a adesão é considerada grande, segundo o diretor regional do Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sinteps), Fred Costa. A mobilização envolve unidades de Mogi das Cruzes, Suzano, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Arujá, Guarulhos e Santa Isabel.
A paralisação ocorre após meses de negociações entre a categoria e o Governo do Estado, sem avanço desde março. Entre as principais reivindicações estão a correção das perdas inflacionárias nos salários e a abertura de uma negociação efetiva sobre a data-base de 2026.
De acordo com o Sinteps, os trabalhadores receberam reajuste de 6% em 2023, ficaram sem reposição em 2024 e tiveram aumento de 5% em 2025. Para a entidade, os índices não foram suficientes para acompanhar a inflação acumulada no período.
Além da paralisação nas unidades, o sindicato programou um ato para as 14h desta terça-feira, em frente à sede do Centro Paula Souza, na Rua dos Andradas, 140, na região da Santa Ifigênia, em São Paulo.
Como ficam as aulas
A Vanguarda Alto Tietê questionou o Centro Paula Souza sobre os impactos da greve para os estudantes, incluindo quantos alunos poderão ser afetados, como ficará o funcionamento das aulas nas Etecs e Fatecs que aderirem à paralisação, se os estudantes serão comunicados previamente e se haverá reposição das aulas suspensas.
Em resposta, porém, a assessoria de imprensa do Centro Paula Souza não informou quantas unidades ou estudantes poderão ser afetados nem detalhou como será o funcionamento das atividades durante a greve.
Em nota, o CPS afirmou que permanece disponível para o diálogo institucional e informou que está analisando a proposta do Plano de Carreira encaminhada pela entidade. “O Centro Paula Souza (CPS) permanece disponível para o diálogo institucional, observados os procedimentos e as competências legais aplicáveis à negociação, e informa que está em análise a proposta do Plano de Carreira enviada à entidade. O documento foi desenvolvido com a participação da comunidade do CPS a partir de discussões que envolveram representantes de docentes das Etecs, Fatecs e servidores administrativos, além da possibilidade de encaminhamento de sugestões pelas unidades.”.
Ainda conforme o Sinteps, a pauta específica da greve desta terça-feira não inclui a revisão do plano de carreira. O sindicato afirma que o tema continua entre as principais reivindicações para 2027, enquanto a mobilização atual concentra-se na recomposição salarial e na negociação da data-base.
A entidade também contesta a interpretação de que o período eleitoral impediria qualquer recomposição salarial.
Segundo o sindicato, a legislação restringe a concessão de reajustes que ultrapassem a perda do poder aquisitivo ocorrida no próprio ano, mas não impediria a reposição de perdas acumuladas.
O Sinteps também afirma que pretende pressionar o governo estadual antes de 30 de setembro, prazo relacionado ao encaminhamento da proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027 pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, responsável pelo Centro Paula Souza.
O sindicato divulgou uma carta aberta à comunidade escolar. No documento, os trabalhadores afirmam que a mobilização não é contra os estudantes, mas, segundo eles, também ocorre em defesa da educação pública.
A entidade defende que a valorização dos profissionais é necessária para manter os trabalhadores na rede, atrair novos servidores e garantir a continuidade da oferta de ensino público, gratuito e de qualidade.
A reportagem será atualizada caso o Centro Paula Souza informe o número de unidades e estudantes afetados pela paralisação e esclareça como será feita a reposição das aulas.














