
Por Sabrina Pacca
As fortes chuvas registradas nos últimos dias, com intensidade muito acima da normal para essa época do ano, elevaram o nível dos rios Tietê e Jundiaí e provocaram alagamentos em diferentes pontos de Mogi das Cruzes. Moradores relataram à Vanguarda Alto Tietê problemas em vias como a Rua Senday, na Ponte Grande, e a Rua Serra Leoa, no Jardim Santos Dumont.
As regiões da Ponte Grande e do Mogilar estão entre as mais afetadas pelo extravasamento do Tietê. A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil informou que mantém o monitoramento dos bairros atingidos, dos cursos d’água e das áreas consideradas de risco.
Na Rua Casarejos, o trecho próximo ao Ribeirão Ipiranga continua interditado por segurança. De acordo com a Prefeitura, o alagamento está relacionado ao nível elevado do Tietê, que dificulta o escoamento do ribeirão. A liberação da via dependerá da redução do volume de água.
O Parque Centenário também foi interditado preventivamente nesta segunda-feira. A Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Qualidade de Vida afirmou que a medida busca garantir a segurança dos frequentadores. O espaço será reaberto somente após a diminuição do nível do rio e a avaliação das condições do local.
A Defesa Civil acompanha ainda o Rio Jundiaí e disse que irá monitirar a Rua Serra Leoa, no Jardim Santos Dumont, local onde mora a aposentada Eliana Sales, que mandou vídeo para a Vanguarda mostrando que a água do rio já invadiu a rua e a garagem da casa dela.
Segundo a Prefeitura, o Jardim Santos Dumont registrou o maior volume de chuva do município nos últimos quatro dias, com 165,4 milímetros. Em Jundiapeba, o acumulado chegou a 153,4 milímetros. Sabaúna recebeu 136,77 milímetros e o Botujuru, 123,8 milímetros.
Somente nos primeiros 14 dias de setembro, Mogi das Cruzes acumulou 238,83 milímetros de chuva. O volume é quase equivalente à soma de toda a precipitação registrada nos meses de setembro de 2022, 2023, 2024 e 2025, que totalizou 246,4 milímetros.
Desassoreamento do Tietê deve ser ampliado pelo Estado
A SP Águas, vinculada à Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, informou à Vanguarda que os trabalhos de limpeza e desassoreamento do Rio Tietê continuam em andamento em Mogi.
Os serviços estariam concentrados em um trecho de aproximadamente 13,3 quilômetros, entre a foz do Ribeirão Taiaçupeba Mirim e a foz do Córrego Ipiranga. As intervenções começaram em dezembro de 2023 e já retiraram cerca de 330,6 mil metros cúbicos de material assoreado. O investimento é de aproximadamente R$ 32,4 milhões, e o contrato atual termina em dezembro de 2026.
Um novo contrato está em fase de licitação para garantir a continuidade dos trabalhos por mais 12 meses no mesmo trecho. A previsão é retirar outros 141,1 mil metros cúbicos de sedimentos a partir do primeiro trimestre de 2027.
Também está prevista uma nova frente de trabalho entre o Córrego Sabino e a Ponte da Avenida João XXIII, em uma extensão de 4,95 quilômetros, segundo a SP Águas. Os serviços incluirão limpeza, desobstrução, retirada de sedimentos e remoção de vegetação aquática. A estimativa é remover cerca de 78 mil metros cúbicos de material durante 12 meses, com início igualmente previsto para o primeiro trimestre de 2027.
No Rio Jundiaí, a informação é a de que o desassoreamento foi concluído em março deste ano. Iniciado em outubro de 2025, o trabalho atingiu 1,78 quilômetro e retirou 16.721 metros cúbicos de material, com investimento de R$ 2,29 milhões.















