A delegada seccional de Polícia Civil de Mogi das Cruzes, Margarette Barreto, foi afastada de suas funções neste sábado (17), após prestar depoimento à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo. A decisão também atingiu outros quatro servidores investigados por suspeita de favorecimento a presos na cadeia pública do município, onde está detido o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil).
A informação foi divulgada pelo G1. Além da delegada, foram afastados o diretor da cadeia pública, o titular do 1º Distrito Policial, um investigador e um carcereiro. A medida foi determinada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, após os depoimentos que aconteceram também neste sábado.
A reportagem da Vanguarda Alto Tietê procurou as autoridades para obter mais informações sobre o caso, mas ainda não havia recebido retorno até a publicação desta matéria.
Delegada nega concessão de privilégios
Segundo informações divulgadas pelo G1, Margarette Barreto afirmou, durante o depoimento, que tinha conhecimento de duas visitas a Milton Leite: a do deputado estadual Delegado Olim (PP) e a da advogada que é esposa do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Conforme a investigação do Ministério Público, Valdemar também estava presente nessa ocasião.
A delegada negou que tenham sido concedidos privilégios aos presos e declarou que a presença de uma televisão na unidade e a entrega de refeições externas haviam sido autorizadas previamente pelo juiz-corregedor.
Ainda de acordo com o G1, a cúpula da Polícia Civil considerou que a delegada deveria ter comunicado a presença de políticos e de outras pessoas em desacordo com as regras da unidade prisional.
Irregularidades na cadeia
O afastamento ocorreu após uma operação do Ministério Público de São Paulo realizada na sexta-feira (16). A ação investiga suspeitas de favorecimento a presos na cadeia pública de Mogi das Cruzes, incluindo visitas fora dos horários permitidos e a possível entrada de itens não autorizados.
Durante a operação, foram apreendidos R$ 155 mil e US$ 10 mil na residência de um carcereiro investigado por suspeita de facilitar benefícios irregulares. A Corregedoria também determinou inspeções na cadeia pública e no 1º Distrito Policial para verificar os procedimentos e a atuação dos responsáveis pela custódia dos presos.
A Polícia Civil instaurou procedimentos para apurar as circunstâncias do caso e as eventuais responsabilidades dos envolvidos.
Defesa
Milton Leite está preso temporariamente por decisão judicial no contexto de uma investigação do Ministério Público sobre suspeita de envolvimento com uma organização criminosa e de relações com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O ex-presidente da Câmara nega as acusações.
Em nota, os advogados Aloísio Medeiros e Rodrigo Araújo afirmaram que o cliente não recebeu regalias nem tratamento diferenciado na unidade prisional. A defesa também declarou não ter tido acesso à investigação conduzida pelo Ministério Público e disse estar à disposição para colaborar com as apurações.
A investigação sobre as condições de custódia em Mogi das Cruzes continua, e os afastamentos não representam, por si só, a comprovação de irregularidades por parte dos servidores.
