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Vanguarda Alto Tietê
Eleitores de Mogi que votaram neste domingo não elegeram nenhum federal da cidade (Foto: Divulgação MPF)

Eleição não amplia bancada federal na região e expõe desafios da representatividade política de Mogi

Silvia Chimello

Mogi das Cruzes não conseguiu ampliar sua representatividade política na esfera federal neste ano. Os eleitores não garantiram a vitória de nenhum novo candidato da cidade em 2026 — nem mesmo da região — para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Isso signfica que o Alto Tietê continuará sendo representado, a partir do próximo mandato, apenas pelos dois deputados federais que conseguiram a reeleição: Márcio Alvino (PL) e Rodrigo Gambale (Podemos).

Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o cenário foi um pouco diferente. O número de deputados eleitos pelo Alto Tietê aumentou de dois para quatro. Mogi, porém, continua com apenas um representante: Marcos Damásio (PL), o único estadual da cidade.

Os outros três vencedores são de municípios vizinhos: Rodrigo Ashiuchi (PL), de Suzano; Kaká do Autismo (Podemos), de Ferraz de Vasconcelos; e Edson Paiol (Podemos), de Itaquaquecetuba.

O resultado chama a atenção porque, durante a campanha, um dos principais argumentos dos candidatos da região foi justamente a importância de eleger representantes com vínculos locais. A promessa era de que uma bancada regional mais forte poderia ajudar a trazer recursos para os municípios por meio de emendas parlamentares e ampliar a capacidade de articulação política do Alto Tietê em São Paulo e em Brasília.

As urnas, no entanto, não seguiram exatamente essa lógica.

Votação dos reeleitos

Os resultados mostram que até mesmo os dois deputados federais reeleitos não dependeram majoritariamente dos votos do Alto Tietê para garantir a permanência em Brasília.

A análise fica ainda mais interessante quando se observam os três maiores colégios eleitorais da região: Mogi das Cruzes, com 333.816 eleitores; Itaquaquecetuba, com cerca de 258 mil; e Suzano, com 235.449.

Márcio Alvino (Foto: Divulgação)

Márcio Alvino, que conquistou 261.325 votos em todo o Estado e terminou como o 11º deputado federal mais votado de São Paulo, recebeu 23.537 votos em Mogi. A cidade de Guararema, seu principal reduto eleitoral, tem 26.407 eleitores e garantiu 11.380 votos ao candidato. Em Suzano, deputado teve 20.189 votos e, em Itaquaquecetuba, 10.588.

Rodrigo Gambale (Foto:Divulgação)

A votação de Rodrigo Gambale foi ainda menor em Mogi. Dos 106.901 votos que recebeu em todo o Estado, apenas 2.231 vieram dos eleitores mogianos. Em Ferraz de Vasconcelos, sua cidade de origem, foram 27.947 votos, diante de um eleitorado de 128.953 pessoas.

Gambale recebeu ainda 951 votos em Suzano e 2.991 em Itaquaquecetuba.

Os números mostram que Alvino e Gambale só conseguiram a reeleição com uma votação espalhada por diferentes municípios paulistas.

A preferência dos eleitores mogianos por candidatos sem ligação direta com a cidade também aparece com força no resultado.

Lucas Pavanato (PL), eleito como o deputado federal mais votado do Estado, recebeu 25.652 votos em Mogi. Erika Hilton (PSOL), segunda candidata mais votada em São Paulo, teve 15.626 votos na cidade.

Desempenho dos candidatos a federal da cidade

Entre os candidatos da cidade que disputaram uma vaga na Câmara dos Deputados, o ex-prefeito Caio Cunha (Podemos) foi o que teve o melhor desempenho no município. Ele recebeu 19.266 votos em Mogi, de um total de 21.093 votos em todo o Estado.

No geral, o melhor desempenho entre os candidatos foi do atual presidente da Câmara de Mogi, Francimário Vieira de Macedo, o Farofa (PL). Ele conquistou 34.660 votos no Estado, sendo 12.447 em Mogi.

Felipe Lintz recebeu 8.737 votos no total, dos quais 5.291 foram em Mogi. Já o vereador Otto Rezende (PL) somou 5.925 votos, com 4.619 deles na cidade.

O resultado deixa uma pergunta que vai além da matemática eleitoral: por que o eleitor de Mogi escolheu, em tantos casos, candidatos de outras cidades ou até de outras regiões?

A resposta não é simples. Voto envolve identificação, posicionamento político, conhecimento do candidato, estrutura partidária, campanhas nas redes sociais e, muitas vezes, escolhas que ultrapassam a relação do político com o município.

Mas o resultado mostra que o discurso de fortalecer a representação local não foi suficiente para convencer uma parcela significativa do eleitorado.

Por que ter representantes da região importa?

É importante lembrar que os deputados federais têm, por meio das emendas parlamentares, uma das principais ferramentas para direcionar recursos do Orçamento da União para os municípios. Esses recursos podem reforçar áreas como saúde, infraestrutura, saneamento, obras viárias, esporte, cultura e assistência social.

Na prática, deputados costumam concentrar parte de sua atuação nos municípios onde têm maior votação ou maior vínculo político. Por isso, ter representantes da própria região pode fazer diferença na disputa por recursos e na articulação de projetos de interesse local.

Mogi já teve uma bancada federal bem maior. Até 2018, a cidade contava com dois deputados federais: Marco Bertaiolli (PSD) e Junji Abe (MDB). Nas eleições de 2022, Bertaiolli conquistou mais de 80 mil votos em Mogi, mas deixou a política eleitoral para assumir o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Junji Abe também não voltou a disputar uma vaga.

Entre 2018 e 2022, o Alto Tietê era representado em Brasília por Márcio Alvino, Kátia Sastre (PL) e Roberto de Lucena (Republicanos). Os dois últimos não conseguiram a reeleição em 2022, e embora tenham voltado a disputar uma cadeira neste ano, novamente ficaram de fora.

Foi também em 2022 que Rodrigo Gambale deixou de disputar a reeleição como deputado estadual para concorrer à Câmara Federal, onde conquistou seu primeiro mandato.

No Estado

O cenário estadual apresenta uma perspectiva diferente.

Até 2018, Mogi tinha dois deputados estaduais: Luiz Carlos Gondim (Republicanos) e Marcos Damásio (PL). O Alto Tietê contava ainda com André do Prado (PL) e Rodrigo Gambale (Podemos).

Neste ano, apenas Damásio foi eleito por Mogi para ocupar uma vaga na Alesp. A região, porém, ampliou sua representação na Alesp com a eleição de Rodrigo Ashiuchi, de Suzano; Kaká do Autismo, de Ferraz de Vasconcelos; e Edson Paiol, de Itaquaquecetuba. Apesar de ser um aumento importante para o Alto Tietê, também desloca parte da representação política para outras cidades da regiçao, tirando o protagonismo de Mogi.

Cabe ressaltar que André do Prado foi eleito neste domingo (04) para uma vaga no Senado. Gondim não conseguiu se eleger novamente.

Balanço

No fim, a eleição deixa um cenário curioso: a região terá mais deputados estaduais, mas Mogi não conseguiu aumentar sua bancada federal. E, mais do que contar cadeiras, os números mostram que a conexão entre os candidatos locais e o eleitorado ainda está longe de ser automática.

A urna mostrou ainda que, para uma parcela significativa dos eleitores, ser da cidade ou da região não foi suficiente para garantir o voto.

Esse talvez seja um dos principais recados desta eleição para a política de Mogi: antes de cobrar do eleitor uma preferência pelos candidatos locais, será preciso entender por que tantos deles não conseguiram transformar proximidade geográfica em identificação política.

Publicado em: 5 de outubro de 2026

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