A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo intimou a delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarete Barreto, o titular do 1º Distrito Policial da cidade e um carcereiro da Cadeia Pública para prestar esclarecimentos sobre suspeitas de favorecimento ao ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite. A informação foi divulgada por diferentes veículos de imprensa neste sábado (17).
As intimações ocorreram após uma operação do Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), realizada na unidade prisional na sexta-feira (16). A ação teve apoio das corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal e busca apurar possíveis irregularidades no tratamento dispensado ao investigado durante a prisão.
Segundo informações publicadas pela imprensa, há suspeitas de que Milton Leite tenha recebido privilégios indevidos na cadeia, incluindo visitas de políticos e advogados fora dos horários permitidos, inclusive aos fins de semana.
Durante a fiscalização das celas e das dependências da unidade, os investigadores teriam apreendido cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil em dinheiro com um carcereiro, suspeito de facilitar as supostas regalias.
Relatos divulgados por veículos de comunicação também apontam que imagens do sistema de monitoramento teriam registrado o deslocamento de uma delegada até o distrito policial em uma viatura descaracterizada. No local, outro agente teria retirado Milton Leite da carceragem por um acesso restrito para permitir que ele conversasse com pessoas sem relação com a investigação.
A Corregedoria instaurou procedimento para apurar a conduta dos policiais que atuam na unidade. Até que as apurações sejam concluídas, as suspeitas não representam comprovação de irregularidades ou de responsabilidade individual dos agentes citados.
Investigação sobre lavagem de dinheiro
O caso está relacionado à Operação Vectura Corrupta, deflagrada em 17 de setembro de 2026. Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, entregou-se à Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), em Mogi das Cruzes, após a decretação de sua prisão temporária.
Ele é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro e de infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista. Segundo as informações divulgadas, a prisão temporária foi prorrogada pela Justiça por mais 30 dias.
A defesa de Milton Leite nega as acusações investigadas na Operação Vectura Corrupta e afirma que ele não recebeu tratamento diferenciado nem regalias durante a permanência na cadeia.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) e a Corregedoria informaram, conforme divulgado portais de notícias , que eventuais irregularidades funcionais serão apuradas e poderão resultar em medidas administrativas e punições, caso sejam confirmadas.
