
Por Maria Salas
O que faz uma mulher permanecer em um relacionamento que lhe faz mal? Até onde pode chegar uma obsessão por amor? E quanto das histórias de princesas, finais felizes e romances idealizados ainda influencia a forma como as mulheres enxergam os próprios relacionamentos? Essas são algumas das questões que atravessam “O Castelo ou Oi, Esqueceu de Me Bloquear no Teatro”, monólogo escrito e protagonizado pela atriz e autora mogiana Carol Cucick, que estreia nesta sexta-feira (11), em Mogi das Cruzes.
A primeira apresentação será às 20 horas, no Núcleo Ousadia, no Centro. O espetáculo também será apresentado no sábado (12), às 20 horas, e no domingo (13), às 19 horas, no mesmo espaço. A temporada ainda terá uma apresentação no Galpão Arthur Netto, no dia 2 de outubro, às 20 horas. Os ingressos podem ser adquiridos pelo Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/o-castelo-ou-oi-esqueceu-de-me-bloquear-no-teatro/3535921) ou pelo WhatsApp (11) 9 2037-2347.
Em entrevista à Vanguarda Alto Tietê, Carol destaca que a peça nasceu de uma inquietação pessoal diante da forma como o amor romântico ainda é apresentado como um dos grandes objetivos da vida das mulheres. A artista conta que passou a acompanhar conteúdos sobre não monogamia e descentralização do homem nos relacionamentos, o que a levou a refletir sobre a origem de determinados padrões afetivos e sobre os motivos que fazem tantas mulheres permanecerem ou retornarem a relações que lhes fazem mal. “Desde o felizes para sempre das princesas Disney, no final das novelas sempre tem casamento”, observa a atriz.
A partir dessa provocação, ela decidiu investigar, pelo teatro, o que leva alguém a permanecer ou retornar a uma relação que provoca sofrimento. O título também carrega essa relação com o imaginário romântico. “O Castelo” remete à princesa presa na torre, esperando pelo príncipe encantado que irá salvá-la. Já “Oi, Esqueceu de Me Bloquear no Teatro” nasceu de uma brincadeira com aquelas situações em que antigos relacionamentos encontram maneiras inusitadas de voltar a fazer contato.
A narrativa mergulha no universo psicológico da personagem e percorre diferentes estados emocionais, passando pelo desejo de reatar, pela raiva, solidão, desejo, tristeza e depressão até chegar a um momento de maior compreensão sobre os próprios sentimentos e sobre o que pode, afinal, representar um final feliz.
Para Carol, o espetáculo pretende funcionar como um espelho para as mulheres. “Todo mundo ou está se sentindo assim, ou já passou por isso, e muitas vezes ainda não entendeu de onde vêm essas sensações”, afirma. A intenção é provocar identificação e reflexão sobre relações afetivas, dependência emocional, idealização e o medo de ficar sozinha.
Do texto ao palco
Transformar questões íntimas em espetáculo também foi um processo de descoberta para a artista. Aos 38 anos, depois de anos de estudos e terapia, Carol decidiu colocar no palco uma história que reúne experiências pessoais, criatividade, escrita e sua própria trajetória como atriz. “Enquanto artista, eu tenho a necessidade de ser ouvida, de trazer reflexões”, conta.
O processo começou pela escrita. Carol revisitou textos antigos, encontrou padrões, reorganizou os fragmentos e fez cortes e adaptações até chegar ao texto que poderia funcionar no palco. Depois, veio o desafio de transformar a literatura em uma experiência teatral.
Nesse processo, a diretora e preparadora Ericka Capella teve papel importante na construção da movimentação e da linguagem cênica. Uma penteadeira sem espelho, uma personagem que dança e canta em determinado momento e a relação entre corpo, espaço e texto passaram a fazer parte da dramaturgia.
Para Carol, o maior desafio foi justamente descobrir como ocupar simultaneamente os lugares de autora e atriz. “Maior do que o desafio de fazer um solo, foi descobrir como ser autora e atriz do meu próprio solo”, resume.
Formada em Letras e pós-graduada em Metodologia do Ensino da Arte, Carol estudou teatro no Célia Helena, improvisação na London Drama School e Técnica Meisner na Creative Veins, na Flórida. Também participou de workshops de escrita criativa autoficcional com Tati Bernardi, Ana Kutner e Marcelo Rubens Paiva.
Serviço
“O Castelo ou Oi, Esqueceu de Me Bloquear no Teatro”
Estreia: sexta-feira (11), às 20 horas
Apresentações: sábado (12), às 20 horas, e domingo (13), às 19 horas
Local: Núcleo Ousadia – Rua Nossa Senhora do Carmo, 79, Centro, Mogi das Cruzes
Classificação: 18 anos
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Os ingressos podem ser adquiridos pelo Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/o-castelo-ou-oi-esqueceu-de-me-bloquear-no-teatro/3535921) ou pelo WhatsApp (11) 9 2037-2347.
A peça também terá apresentação no Galpão Arthur Netto, em Mogi das Cruzes, no dia 2 de outubro, às 20 horas.


















