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Foto: Jonny Ueda

Mogi das Cruzes chega aos 466 anos com novos caminhos para uma cidade mais moderna e acolhedora

Por Sabrina Pacca

Mogi das Cruzes completa 466 anos nesta terça-feira, 1º de setembro, com muitos motivos para celebrar. Uma das cidades mais antigas do Brasil chega ao aniversário olhando para o futuro e acumulando entregas, obras e projetos que, se mantidos e bem administrados, poderão melhorar significativamente a qualidade de vida dos mogianos e mogianas.

Os avanços não significam que todos os problemas estejam resolvidos. Ainda há ruas que precisam de manutenção, bairros à espera de infraestrutura, dificuldades no trânsito e serviços públicos que exigem ajustes. Mas é inegável que a cidade atravessa um período de investimentos importantes, especialmente em áreas que interferem diretamente na rotina da população.

A saúde ocupa lugar de destaque nesse movimento. Uma das entregas mais simbólicas foi a Maternidade e Hospital da Mulher e da Criança Leila Caran Costa, em Braz Cubas. Com 8 mil metros quadrados, sete andares e 90 leitos, a unidade tem capacidade para realizar até 400 partos e 2 mil atendimentos obstétricos de urgência por mês, com toda a assistência às gestantes e aos recém-nascidos, UTI Neonatal, banco de leite humano, pronto atendimento obstétrico, alojamento conjunto para mães e bebês e Sala Lilás para o acolhimento de mulheres vítimas de violência.

Outro passo importante foi a descentralização dos exames de alta complexidade. O primeiro Núcleo de Tomografia Computadorizada de Jundiapeba, instalado na Unidade Clínica Ambulatorial, a Unica, tem capacidade para realizar até 400 procedimentos mensais e deve beneficiar cerca de 80 mil moradores de Jundiapeba e dos bairros próximos. Levar o diagnóstico para mais perto da população reduz deslocamentos e pode acelerar tanto a identificação de doenças quanto o início dos tratamentos.

No Centro, o projeto da Cidade da Saúde surge como uma das principais promessas para reorganizar o atendimento especializado. Previsto para ocupar o antigo prédio do Liceu Braz Cubas, o complexo reunirá consultas, exames, medicamentos, atendimento odontológico e pequenos procedimentos em um mesmo endereço. O modelo pretende diminuir o intervalo entre as diferentes etapas do tratamento e reduzir a necessidade de o paciente percorrer várias unidades.

Por enquanto, no entanto, a Cidade da Saúde ainda é um projeto em processo de licitação, com entrega prevista para 2028. Por isso, sua importância será confirmada pela execução da obra, pelo cumprimento dos prazos e, principalmente, pela capacidade futura de reduzir as filas de especialidades.

A atenção à saúde bucal também começou a ganhar um novo capítulo com o programa municipal de próteses dentárias gratuitas. Inicialmente direcionada às pessoas em maior situação de vulnerabilidade social, a iniciativa começou com 30 pacientes. Embora ainda seja uma oferta pequena diante da demanda de uma cidade do tamanho de Mogi, o serviço representa um avanço que pode devolver não apenas o sorriso, mas também autoestima, segurança na alimentação e melhores condições de convivência e de acesso ao trabalho.

O conceito de cuidado foi ampliado ainda para os animais. O Hospital Veterinário Municipal Pró-Pet passou a realizar procedimentos antes indisponíveis no antigo modelo de clínica. Entre eles está a primeira cirurgia de coluna de alta complexidade, feita para estabilizar uma fratura que poderia provocar paralisia em um cachorro. O caso demonstra o potencial técnico da unidade, que ainda atravessa uma fase inicial de funcionamento e precisa aperfeiçoar fluxos, acolhimento e acesso para consolidar a proposta de atendimento veterinário público.

Mobilidade

Fora da área da saúde, uma Mogi preparada para o futuro também depende de mobilidade eficiente. A entrega do viaduto Mário Celso Gomes da Silva e da Avenida João Gilberto Moro, integrantes da Nova Perimetral, cria uma nova ligação viária na região de César de Souza. O conjunto vai distribuir melhor o fluxo de veículos, oferecer alternativas aos trajetos já sobrecarregados e apoiar a expansão urbana e econômica daquela parte do município.

A importância de uma obra viária, contudo, não se mede somente pelo asfalto inaugurado. Ela deve ser avaliada pela redução real do tempo de deslocamento, pela segurança de motoristas, ciclistas e pedestres e pela integração com o transporte coletivo. Mogi cresce, e seu sistema de mobilidade precisa acompanhar esse movimento sem repetir modelos que privilegiem exclusivamente o automóvel.

Dignidade

Em Jundiapeba, um pacote de pavimentação avaliado em R$ 70,2 milhões promete transformar ruas da Vila Nova Jundiapeba e formar um novo eixo regional de circulação. Pavimentar vai muito além de eliminar poeira e lama: significa permitir a chegada mais rápida de ambulâncias, melhorar o transporte público, facilitar o acesso ao comércio e valorizar bairros que, por muitos anos, esperaram pela infraestrutura básica – dignidade é o nome disso.

Ao lado das grandes obras, a zeladoria continua sendo uma medida essencial da qualidade de vida. Ruas iluminadas, calçadas acessíveis, praças conservadas, limpeza frequente e drenagem adequada não costumam render grandes cerimônias, mas definem diariamente a relação dos moradores com a cidade.

É nesse contexto que o programa Mogi Abraça o Centro tenta recuperar o protagonismo da região central. A iniciativa reúne ações de segurança, cultura, esporte, empreendedorismo, organização dos espaços e incentivo à circulação de pessoas. Revitalizar o Centro não significa apenas renovar fachadas. Exige enfrentar imóveis abandonados, melhorar a iluminação e a limpeza, preservar o patrimônio, acolher a população em situação de rua e criar condições para que moradores, comerciantes e consumidores voltem a ocupar a região com segurança.

Saneamento

Outra frente decisiva — embora menos visível — está no saneamento. A parceria firmada entre a Prefeitura e o Governo do Estado prevê R$ 178,5 milhões em obras de coleta e tratamento de esgoto. Os recursos serão aplicados em coletores nas bacias dos rios Jundiaí, Oropó, Ipiranga e Negro, com previsão de beneficiar 134,6 mil pessoas. Saneamento é saúde, preservação ambiental e desenvolvimento.

Aos 466 anos, Mogi das Cruzes mostra que tradição e modernização não precisam seguir por caminhos opostos. A cidade preserva sua história, seu patrimônio e seu jeito acolhedor, enquanto começa a construir uma estrutura mais compatível com as necessidades do presente e as exigências do futuro.

Publicado em: 1 de setembro de 2026

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