quinta, 23 de julho de 2026 Anuncie
Vanguarda Alto Tietê
A composição foi completamemte destruída pelo fogo (Foto: Reprodução Internet)

Incêndio, atrasos e caos marcam o terceiro dia da concessão das linhas de trem privatizadas

Silvia Chimello

Os usuários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade enfrentaram uma manhã de caos nesta quinta-feira (23), após um incêndio em uma composição da Linha 12-Safira interromper a circulação dos trens e provocar uma série de transtornos para milhares de passageiros que seguiam para o trabalho na capital paulista.

O problema ocorreu por volta das 5h30, entre as estações Brás e Tatuapé. Segundo a concessionária Trívia Trens, um possível curto-circuito em uma composição provocou o desligamento das subestações de energia, comprometendo a operação das três linhas administradas pela empresa.

Passageiros relataram ter ouvido uma explosão antes de as chamas tomarem um dos vagões. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram a composição com a parte interna e externa destruída pelo fogo. Apesar da gravidade da ocorrência, não houve registro de feridos.

Durante a evacuação, passageiros deixaram o trem pelos trilhos com o auxílio de policiais militares. Alguns relataram nas redes sociais que precisaram pular um muro com a ajuda de um caminhão estacionado na via para conseguir sair do local.

A Trívia Trens informou que as equipes de emergência atuaram rapidamente para controlar o incêndio e iniciar a recuperação do sistema elétrico. A circulação foi sendo restabelecida gradualmente ao longo da manhã, mas os reflexos da paralisação se estenderam por várias horas.

Trabalhadores enfrentaram atrasos

Quem embarcou nas estações do Alto Tietê também enfrentou dificuldades para chegar ao destino.

A funcionária pública Cristina Guerra, que saiu de Mogi das Cruzes com destino a Ferraz de Vasconcelos, falou sobre “o caos” que enfrentou para chegar até o seu trabalho. Ela disse que a situação estava “terrível” e contou que precisou recorrer a um transporte por aplicativo após a interrupção da viagem.

“A situação estava caótica. O trem teve que voltar de ré e as pessoas começaram a pular nos trilhos perto de Ferraz para conseguir chegar ao trabalho. Muita gente desistiu e voltou para casa. Eu precisei pegar um Uber. O trem retornou até Calmon Viana porque havia pessoas andando na via e ele não conseguia seguir viagem. Isso é inaceitável. O trabalhador tem direito a um transporte digno. Mesmo antes do incêndio já havia problemas. A terceirização foi feita sem planejamento”, afirmou.

Nas plataformas, passageiros relataram superlotação, longas filas e falta de informações sobre a retomada da circulação.

Artesp apura falhas

Diante da sequência de problemas registrados desde o início da operação da concessionária, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) informou que abriu apuração para verificar as causas da ocorrência e acompanhar as medidas adotadas para atendimento aos passageiros.

Em nota divulgada à imprensa, a agência afirmou que acompanha a situação desde as primeiras horas da manhã. “A Artesp apura, desde o início da manhã desta quinta-feira (23), a ocorrência que afeta a operação das Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, fiscalizando as medidas adotadas pela concessionária para a normalização do serviço e a assistência aos passageiros. A Agência mantém fiscalização permanente sobre a prestação do serviço e adotará as medidas administrativas e contratuais cabíveis.”

O diretor-presidente da Artesp, André Isper, afirmou ao site G1 que o governo estuda determinar o retorno temporário da CPTM para atuar em conjunto com a Trívia Trens durante um período de transição.

“O que vimos nos últimos dias, especialmente hoje, foi inaceitável. Como agência reguladora, estamos agindo de forma imediata. A possibilidade de a CPTM voltar a operar em conjunto com a Trívia está sendo discutida e deverá ser definida ainda hoje.”, disse ele.

A Trívia Trens assumiu oficialmente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade na última terça-feira (21). Em apenas três dias de operação, a concessionária já registrou ao menos três ocorrências que afetaram a circulação dos trens.

A reportagem da Vanguarda entrou em contato com a Trívia Trens e com a Artesp solicitando um posicionamento oficial sobre o incêndio, os transtornos causados aos passageiros e as medidas que serão adotadas para evitar novas falhas. A matéria será atualizada assim que houver manifestação dos órgãos.

 

Publicado em: 23 de julho de 2026

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