
Por Sabrina Pacca
Sob a expectativa de um “Super El Niño” nos próximos meses, governos e autoridades federais, estaduais e municipais iniciaram uma série de ações de prevenção contra as catástrofes relacionadas ao aquecimento das águas do Pacífico, que está preocupando o mundo todo. A Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio da Defesa Civil, está finalizando um plano de contingência para enfrentar os possíveis impactos do fenômeno climático na cidade, inicialmente durante o período de estiagem, entre junho e outubro.
Segundo o gestor executivo do Sistema de Proteção e Defesa Civil de Mogi das Cruzes, Marcos Vicente de Paulo, o município possui características geográficas e ambientais específicas que influenciam diretamente no comportamento climático da região.
“Mogi está situada entre vales, serras e planaltos. Temos a Serra do Itapeti, a Serra do Mar, áreas de terras altas, relevo ondulado e o Rio Tietê atravessando bairros, além do Rio Jundiaí, represas e córregos. Tudo isso interfere nos ventos, na temperatura e na umidade. Nossa biodiversidade é muito úmida, então a estiagem aqui não costuma ser tão severa quanto no interior do Estado, mas isso não significa que não existam riscos”, explicou.
De acordo com ele, a principal preocupação da Defesa Civil neste momento está relacionada à segurança hídrica e aos impactos da estiagem prolongada, especialmente em áreas mais vulneráveis e regiões próximas à vegetação.
“O super El Niño pode atingir tanto o período de seca quanto a época das chuvas, no final deste ano e início de 2027. Nossa maior preocupação nesse primeiro momento da estiagem é com a falta d´água e com os efeitos que podem surgir em sequência, como queimadas, baixa umidade e problemas respiratórios”, afirmou.
Já com relação à época de cheia, o gestor destacou que o município conseguiu atravessar o último período de chuvas sem grandes ocorrências graças ao trabalho preventivo realizado nos últimos meses. Entre as ações executadas pela administração municipal estiveram a limpeza de bueiros, desobstrução de galerias pluviais, manutenção de córregos e monitoramento constante de áreas de risco.
“Retiramos cerca de 3,5 mil toneladas de lixo dos cursos d’água e córregos. Isso fez muita diferença para evitar alagamentos e transtornos maiores durante as chuvas”, ressaltou Marcos Vicente.
As regiões às margens do Rio Jundiaí, além de bairros como Piatã I e II, Oropó, Chácara Guanabara e Jundiapeba, seguem no radar da Defesa Civil. Algumas dessas áreas já possuem previsão de obras de macro e microdrenagem para minimizar riscos futuros.
Além das ações estruturais e operacionais, a Defesa Civil aposta na conscientização da população como principal ferramenta para reduzir os impactos do fenômeno climático. O trabalho envolve atuação conjunta com secretarias municipais, Corpo de Bombeiros, forças policiais e órgãos ambientais.
“Na estiagem, que está mais próxima, o tripé que evita o mal maior é educação da população, aplicação da legislação e eliminação de fontes de propagação de incêndios. Não adianta apenas o poder público agir se cada cidadão não fizer sua parte”, destacou o gestor.
A preocupação com queimadas durante o período de estiagem também mobiliza ações preventivas junto a chacareiros, sitiantes e moradores de áreas rurais. A orientação é para que a população evite qualquer tipo de queima irregular de vegetação ou lixo, prática que aumenta significativamente os riscos de incêndios ambientais.
A Defesa Civil também pretende intensificar ações educativas nas escolas municipais, levando orientações às crianças sobre preservação ambiental, economia de água e prevenção de queimadas. Segundo Marcos Vicente, o objetivo é transformar os estudantes em multiplicadores de informação dentro das próprias famílias.
“Nós acreditamos muito na conscientização. A educação é fundamental para enfrentar as consequências do El Niño. Se todo mundo fizer a sua parte, conseguimos diminuir os prejuízos”, afirmou.
Entre as recomendações para o período de estiagem estão a economia de água, atenção redobrada à hidratação de crianças e idosos, permanência em locais com sombra nos períodos mais quentes do dia e medidas simples para amenizar o clima seco dentro das residências, como utilização de baldes com água ou toalhas úmidas para aumentar a umidade do ambiente. Lembrando que cientistas preveem que o Super El Niño trará ondas de calor intensas para o Sudeste do Brasil, além de temporais fora de época.
A Defesa Civil informou ainda que deverá lançar oficialmente, nas próximas semanas, o plano de contingência específico para o período de estiagem, reunindo protocolos de prevenção, monitoramento e resposta rápida para possíveis ocorrências relacionadas ao Super El Niño em Mogi das Cruzes.















