Silvia Chimello
Com quase 500 mil habitantes e três cemitérios municipais operando próximo do limite da capacidade, Mogi das Cruzes enfrenta o desafio de garantir espaço para novos sepultamentos. Para atender à demanda, a Prefeitura busca alternativas para ampliar o número de vagas e melhorar a estrutura dos locais existentes.
Uma das possibilidades em avaliação é a utilização do antigo cemitério Nossa Senhora do Carmo, em Jundiapeba, conhecido como cemitério dos hansenianos. A área fica nas proximidades do Hospital Arnaldo Pezzuti Cavalcanti e está sob responsabilidade do governo estadual.
Segundo as informações da administração municipal, a Prefeitura tenta negociar com o Estado a liberação do espaço para que ele possa ser utilizado e administrado pelo município.
Atualmente, Mogi conta com três cemitérios municipais: São Salvador, na região central; da Saudade, em Braz Cubas; e de Sabaúna. A cidade também possui o cemitério particular Parque das Oliveiras.
Alternativas para ampliar vagas
Segundo a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e Zeladoria, estão em andamento medidas para aumentar a capacidade de sepultamento nos cemitérios municipais. Entre elas, estão a regularização de sepulturas de emergência e a recuperação de jazigos abandonados.
De acordo com a Prefeitura, a legislação permite que sepulturas sem manutenção por dez anos sejam revertidas ao poder público. O procedimento pode contribuir para a recuperação de espaços e a ampliação da disponibilidade de vagas.
Outra iniciativa é a realização de estudos de viabilidade para identificar áreas que possam receber um novo cemitério municipal, após as adequações necessárias. A implantação de uma unidade, no entanto, enfrenta obstáculos relacionados à legislação de proteção ambiental.
A administração municipal também informa que desenvolve um aplicativo para reunir informações sobre os sepultamentos realizados nos cemitérios públicos. A ferramenta deverá facilitar a localização de sepulturas e ajudar familiares e amigos a encontrar os túmulos durante as visitas.
No Cemitério São Salvador, a Secretaria Municipal de Cultura conduz ainda o processo de tombamento de capelas e obras de arte tumular, com o objetivo de preservar elementos históricos do espaço.
Dia de Finados
Os três cemitérios municipais contam com equipes fixas responsáveis pelos serviços diários de limpeza e manutenção. Segundo a Prefeitura, os trabalhos são reforçados em períodos de maior movimento, como o Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro.
Normalmente, os cemitérios funcionam das 8h às 17h. Na data, excepcionalmente, o atendimento será estendido até as 18h, permitindo que mais pessoas visitem os túmulos e prestem homenagens a familiares e amigos.
Sepulturas improvisadas
A capacidade dos cemitérios também preocupa moradores. Na última semana, após a publicação de uma reportagem da Vanguarda sobre os prazos para reforma de sepulturas, uma seguidora relatou que estariam sendo abertas sepulturas em locais inadequados no Cemitério da Saudade, inclusive em áreas destinadas à circulação de pessoas.
Questionada pela reportagem, a Secretaria responsável informou que esse tipo de procedimento está proibido.
Segundo a Prefeitura, a abertura de sepulturas em espaços improvisados ocorreu durante a pandemia de Covid-19, em um contexto excepcional que exigiu medidas emergenciais em Mogi das Cruzes e em outras cidades do Brasil e do mundo.


