terça, 22 de setembro de 2026 Anuncie
Vanguarda Alto Tietê
Cinco afluentes de Mogi e Itaquaquecetuba melhoram indicadores de poluição no Tietê (Foto: PMMC)

Cetesb aponta melhora na qualidade da água do Rio Tietê em Mogi e Itaquaquecetuba

Um levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) aponta redução da concentração de matéria orgânica em cinco afluentes do Rio Tietê localizados em Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba. O destaque é o Córrego Lavapés, em Mogi, que apresentou melhora de 56% no indicador entre 2024 e a média das medições realizadas nos dois últimos trimestres de 2025 e nos dois primeiros de 2026.

O Ribeirão Jaguari, em Itaquaquecetuba, teve redução de 31%, enquanto outros dois afluentes do município, o Ribeirão Três Pontes e o Ribeirão Perová, registraram quedas de 29% e 14%, respectivamente. Em Mogi, além do Lavapés, o Ribeirão Ipiranga apresentou redução de 6%.

Os dados integram um levantamento da Cetesb, divulgado pelo Governo do Estado, que acompanha 30 rios e córregos que deságuam no Tietê na Região Metropolitana de São Paulo. A ampliação do monitoramento tem como objetivo verificar a resposta dos cursos d’água às intervenções de saneamento, especialmente nas regiões onde foram previstas obras para aumentar a coleta e o tratamento de esgoto.

A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística. informa que os resultados fazem parte do conjunto de ações voltadas à recuperação do Rio Tietê, que inclui, além do saneamento, desassoreamento, fiscalização ambiental, monitoramento da qualidade da água e recuperação das margens.

“Esses resultados reforçam que a decisão do Governo de São Paulo de colocar o saneamento no centro da recuperação do Tietê começa a produzir efeitos concretos. A Sabesp, após sua desestatização em 2024, ampliou a coleta e o tratamento de esgoto em áreas prioritárias, enquanto a Cetesb expandiu o monitoramento para medir a resposta dos rios e córregos. Em Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba, já conseguimos enxergar essa política pública no território: menos esgoto chegando aos afluentes e, consequentemente, menos poluição seguindo em direção ao Tietê”, afirma a secretária de Meio Ambiente, Natália Resende,

Corregos Lavapés e Riberião Ipiranga

Entre os 30 afluentes monitorados pela Cetesb, o Córrego Lavapés apresentou a maior redução individual registrada no levantamento. A concentração de matéria orgânica caiu de 29 mg/L, em 2024, para uma média de 13 mg/L considerando as medições realizadas entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026. A redução foi de 56%.

No Ribeirão Ipiranga, também em Mogi das Cruzes, o indicador passou de 15 mg/L para 14 mg/L, uma diferença de 6%.

A concentração de matéria orgânica é acompanhada pela Cetesb por meio do Carbono Orgânico Total (COT), indicador utilizado para avaliar a presença de matéria orgânica na água. Em termos gerais, concentrações menores representam menor presença desse tipo de poluição, que pode estar relacionada, entre outros fatores, ao lançamento de esgoto.

Três afluentes melhoram em Itaquaquecetuba

Os três cursos d’água de Itaquaquecetuba incluídos no levantamento também apresentaram redução da concentração de matéria orgânica.

No Ribeirão Jaguari, o índice caiu de 50 mg/L, em 2024, para 34 mg/L na média das medições mais recentes, redução de 31%.

No Ribeirão Três Pontes, a concentração passou de 30 mg/L para 21 mg/L, uma queda de 29%. Já no Ribeirão Perová, o indicador foi de 26 mg/L para 22 mg/L, redução de 14%.

A comparação feita pela Cetesb considera os resultados registrados em 2024 e a média das medições realizadas nos dois últimos trimestres de 2025 e nos dois primeiros trimestres de 2026.

A Cetesb também considera a área de drenagem dos cursos d’água ao calcular o resultado conjunto dos 30 afluentes monitorados. Essa medida corresponde ao território que direciona água para determinado rio ou córrego e pode abranger bairros, ruas, terrenos e outros cursos d’água menores.

A área de drenagem influencia o volume de água que chega ao afluente. Por isso, na avaliação conjunta, rios que recebem água de territórios maiores têm peso diferente daqueles que drenam áreas menores.

Entre os cinco afluentes monitorados em Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba, o Ribeirão Perová possui a maior área de drenagem, com 32,7 quilômetros quadrados. Na sequência aparecem o Ribeirão Jaguari, com 17 km²; o Ribeirão Três Pontes, com 8,8 km²; o Ribeirão Ipiranga, com 4,7 km²; e o Córrego Lavapés, com 3 km².

Dessa forma, a redução de 56% registrada no Lavapés representa uma melhora individual expressiva, mas os resultados de cursos d’água como o Perová e o Jaguari têm maior peso na avaliação conjunta por abrangerem áreas de drenagem mais extensas.

Poluição

Considerando o peso das áreas de drenagem, a concentração média de matéria orgânica nos 30 afluentes acompanhados pela Cetesb caiu de 26 mg/L, em 2024, para 23,7 mg/L em 2025 e 20,1 mg/L em 2026. De acordo com o levantamento, a redução acumulada foi de 23% no período.

Dos 30 cursos d’água analisados, 13 apresentaram redução na concentração de matéria orgânica. O resultado de 2026 também ficou 36,2% abaixo da meta de 31,5 mg/L estabelecida pelo Programa IntegraTietê para este ano.

O levantamento aponta ainda reflexos no próprio Rio Tietê. Na saída da Região Metropolitana de São Paulo, a quantidade de matéria orgânica transportada pelo rio caiu de 218 para 154 toneladas por dia entre 2024 e 2026. A diferença é de 64 toneladas por dia, equivalente a uma redução de aproximadamente 29%.

Monitoramento

A rede de acompanhamento da Cetesb na Região Metropolitana de São Paulo foi ampliada nos últimos anos. Em 2023, eram monitorados 11 afluentes do Tietê. Desde 2024, o número passou para 30.

Segundo a Companhia, a escolha dos novos pontos priorizou locais onde estavam previstas intervenções para ampliar a coleta de esgoto. A intenção é acompanhar a qualidade da água desde os córregos e rios que atravessam os municípios e identificar como os cursos d’água respondem às obras de saneamento.

“Ampliamos o monitoramento para acompanhar os efeitos das obras desde os córregos e rios que atravessam os municípios. Essa rede mostra onde os investimentos já trazem resultados e ajuda a direcionar as ações para os pontos que ainda exigem atenção”, afirma o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo.

IntegraTietê

O monitoramento dos afluentes integra o IntegraTietê, programa lançado pelo Governo de São Paulo em 2023 com ações relacionadas ao saneamento, desassoreamento, fiscalização ambiental, monitoramento da qualidade da água, recuperação ambiental e requalificação das margens.

Segundo o Estado, os investimentos nas diferentes frentes do programa já ultrapassam R$ 22 bilhões.

Na área de saneamento, mais de 1,5 milhão de domicílios foram conectados à rede de esgoto desde o início do programa, beneficiando cerca de 4,5 milhões de pessoas, conforme os dados divulgados pelo governo estadual.

Também houve ações de desassoreamento. Desde 2023, foram retirados mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos dos rios, volume equivalente a 90% da meta de 7,2 milhões de metros cúbicos prevista até o fim de 2026. Os investimentos nessa frente, executada por meio da SP Águas, vinculada à Semil, ultrapassam R$ 1,4 bilhão.

Somente em 2025, segundo o governo estadual, foram removidos mais de 2,3 milhões de metros cúbicos de sedimentos dos rios Tietê e Pinheiros.

Outra frente do programa é a retirada de resíduos flutuantes. No Rio Pinheiros, foram removidas 147 mil toneladas de lixo desde 2023, com investimentos superiores a R$ 228,2 milhões.

 

Publicado em: 22 de setembro de 2026

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