Por Sabrina Pacca
Diversos moradores de Mogi das Cruzes têm apontado em suas redes sociais e também em reclamações para a Vanguarda Alto Tietê sobre a quantidade de pernilongos que apareceram nas casas, em diferentes bairros, nos últimos dias de sol. Além de fazerem zumbido e picarem, deixando as pessoas, especialmente as alérgicas, muito irritadas, há o temor também da possibilidade de um aumento nos casos de dengue.
As queixas são comuns: pernilongos pretos, de tamanho grande, que picam dolorido. Uma moradora da Vila Industrial, que preferiu não se identificar, conta que chegou a matar mais de 50 em sua garagem, nos últimos três dias. As marcas nas paredes não a deixam mentir.
Também há relatos da presença dos mesmos insetos no Socorro, Vila Oliveira, Centro, Mogilar e Mogi Moderno.
´Chega a ser insuportável. Não podemos abrir as janelas, com esse calorão, porque eles invadem. E não tem dia e nem noite. Estão por todas as partes, durante o dia inteiro. Pelo que vimos não são rajados. Não se parecem com o mosquito da dengue, mas mesmo assim dá muito medo`, conta Andréia Aparecida de Assis, que reside no Mogi Moderno.
Em nota a Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar informou que o ´Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) está acompanhando os relatos de aumento expressivo de mosquitos em diferentes bairros de Mogi das Cruzes e coletando exemplares para identificar as espécies envolvidas`.
Segundo a Prefeitura, em princípio trata-se de mosquitos do gênero Psorophora, que estão associados a ambientes naturais, como áreas de mata e várzeas, e podem causar grande incômodo pela intensidade com que picam. A identificação ainda será confirmada pela equipe técnica.
A Secretaria diz, ainda, que o inverno atipicamente chuvoso, seguido pela rápida elevação das temperaturas com a chegada da primavera, criou condições favoráveis à eclosão dos ovos e ao desenvolvimento desses mosquitos. Em Mogi das Cruzes, a presença do rio Tietê, de áreas de várzea, de outros cursos d’água e de fragmentos de mata ajuda a explicar por que o fenômeno pode ser percebido em vários bairros ao mesmo tempo. O CCZ avaliará os locais de ocorrência e as medidas tecnicamente viáveis para reduzir o incômodo à população.
A Vanguarda questionou se a fumaça com inseticida não poderia ser usada, mas a Prefeitura destacou que o chamado caminhão de fumaça (“fumacê”) não oferece uma solução duradoura para essa situação. A técnica atinge apenas os mosquitos adultos expostos no momento da aplicação: não elimina ovos ou larvas, nem impede que novos insetos surjam dos criadouros naturais. Por isso, seu uso não é indicado de forma indiscriminada e depende de avaliação técnica.
Enquanto a situação é avaliada, recomenda-se o uso de repelentes, telas em portas e janelas e repelentes elétricos, sempre conforme as instruções dos fabricantes. ´Ressaltamos, contudo, que as mesmas condições de chuva e calor também favorecem o Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e Zika. Portanto, mesmo que os mosquitos responsáveis pelo incômodo relatado não sejam Aedes, este é um momento de atenção redobrada: a população deve verificar semanalmente quintais, terrenos e imóveis, eliminar recipientes que acumulem água e manter reservatórios bem fechados`, diz a Zoonoses.