
A Câmara Municipal de Mogi das Cruzes aprovou, em sessão realizada nesta terça-feira (8), o Projeto de Lei de autoria da prefeita Mara Bertaiolli (PL), que autoriza o Executivo municipal a firmar convênio com a Secretaria Estadual de Parcerias em Investimentos. O objetivo do convênio é viabilizar a execução de obras de implantação, requalificação e melhorias no entorno das estações ferroviárias que fazem parte do Lote Alto Tietê da concessão patrocinada das Linhas 11, 12 e 13 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
Entre os destaques da proposta está a previsão de extensão de quatro quilômetros da malha ferroviária entre as estações Estudantes e César de Souza, uma demanda antiga da população mogiana. A justificativa apresentada pela prefeita enfatiza o crescimento da demanda por transporte público na região e o aumento constante do chamado deslocamento pendular entre Mogi das Cruzes e a capital paulista. A proposta também prevê intervenções para reduzir o intervalo entre os trens da Linha 11-Coral, atender regiões com pouca oferta de transporte e reformar estações, o que, segundo a prefeita, contribuirá para melhorar a qualidade de vida dos usuários.
Durante a sessão, parlamentares expressaram opiniões diversas. Otto Rezende destacou que o investimento previsto para Mogi das Cruzes é de R$ 1,6 bilhão, com cronograma de execução até 2032 e previsão de que a maior parte das obras seja concluída até 2030. Ele também mencionou a substituição de passagens de nível por túneis e viadutos. Já Inês Paz (PSOL), embora tenha votado favoravelmente, fez críticas à falta de debate público e à privatização das linhas ferroviárias, mencionando problemas recorrentes nas linhas que já passaram por concessão.
Rodrigo Romão (PCdoB) seguiu na mesma linha, alertando para a transferência de ativos públicos a grupos privados, a precarização do trabalho e a perda de garantias para os trabalhadores do setor. Segundo ele, o projeto votado trata apenas do convênio com o Estado, mas exige atenção redobrada diante do contexto de privatizações. Mauro Araújo também manifestou preocupação com a celeridade na tramitação do projeto e cobrou garantias mais concretas de que as obras prometidas serão efetivamente realizadas. Ele destacou a existência de quatro passagens de nível na cidade que ainda aguardam solução.
O presidente da Câmara, Francimário Vieira (PL), o Farofa, reforçou a importância da aprovação do projeto, mencionando que não haverá custos ou contrapartidas por parte do município, já que o consórcio vencedor do leilão será responsável pelos investimentos. Ele anunciou que uma reunião com representantes do Estado está prevista para o próximo mês, quando serão discutidas as intervenções específicas em Mogi das Cruzes.















