
Por Sabrina Pacca
Os candidatos da Região do Alto Tietê que vão disputar vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nas eleições de 2026 declararam patrimônios que variam de nenhum bem a quase R$ 3 milhões. Os valores constam nas declarações apresentadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Vale lembrar que as candidaturas ainda podem ser registradas até o dia 15 próximo.
O levantamento da Vanguarda Alto Tietê, feito a partir da relação de candidatos da região, considera oito nomes que disputam uma cadeira de deputado federal e dez candidatos a deputado estadual. Além dos valores informados neste ano, foram considerados os patrimônios declarados nas eleições anteriores, quando disponíveis.
É importante destacar que os números correspondem aos bens declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e não significam, necessariamente, uma avaliação atualizada de mercado de todo o patrimônio de cada um.
Deputado federal: Otto Rezende tem o maior patrimônio
Entre os oito candidatos a deputado federal analisados, Otto Rezende (PSD) aparece com o maior patrimônio declarado: R$ 1.587.490,52. Na eleição de 2024, ele havia informado R$ 1.400.398,88. O crescimento nominal entre as duas declarações é de aproximadamente 13,4%.
Na segunda posição está Roberto Lucena (Republicanos), que declarou R$ 979.317,06 neste ano. Em 2022, eram R$ 280.744,87. A diferença é de R$ 698.572,19, o que representa aumento nominal de aproximadamente 249%.
Kátia Sastre (PL) ocupa a terceira posição, com R$ 830 mil declarados. Em 2022, o patrimônio informado à Justiça Eleitoral era de R$ 553.703,34.
Na sequência aparecem Márcio Alvino (PL), com R$ 495.881,97, ante R$ 509.518,88 em 2022; Rodrigo Gambale (Podemos), com R$ 484.666,66, contra R$ 409.964,91 em 2022; e Caio Cunha (Podemos), com R$ 374.790,88, ante R$ 170.028,25 declarados em 2024.
Na parte inferior da relação está Farofa (PL), que declarou R$ 108 mil em bens. Em 2024, o valor informado havia sido de apenas R$ 3.401,01.
Felipe Lintz (PL) aparece sem patrimônio declarado. Segundo os dados utilizados no levantamento, tanto em 2026 quanto em 2024 consta a informação de que não há bens a declarar.
Assim, considerando os valores declarados, o ranking dos candidatos a deputado federal fica:
- Otto Rezende (PSD) — R$ 1.587.490,52
- Roberto Lucena (Republicanos) — R$ 979.317,06
- Kátia Sastre (PL) — R$ 830.000,00
- Márcio Alvino (PL) — R$ 495.881,97
- Rodrigo Gambale (Podemos) — R$ 484.666,66
- Caio Cunha (Podemos) — R$ 374.790,88
- Farofa (PL) — R$ 108.000,00
- Felipe Lintz (PL) — não declarou bens
Estadual: Clau Camargo lidera patrimônio
Entre os candidatos do Alto Tietê a deputado estadual incluídos no levantamento, Clau Camargo (PSD) apresenta o maior patrimônio: R$ 2.970.006,04. Esta é sua primeira eleição, segundo a relação utilizada pela reportagem, portanto não existe declaração de candidatura anterior que permita comparar a evolução de seu patrimônio.
Logo atrás aparece Marcos Damásio (PL), com R$ 2.865.450,00. Em 2022, ele havia declarado R$ 947 mil. A diferença nominal chega a R$ 1,918 milhão, crescimento de aproximadamente 202,6%.
O terceiro maior patrimônio é de Dr. Rafu (Federação União Progressista): R$ 2.680.864,07. Em 2024, a declaração era de R$ 2.053.687,57.
Rodrigo Ashiuchi (PL) vem em seguida, com R$ 2.187.379,53. Na eleição de 2020, havia informado R$ 872.432,10.
Depois aparecem Luiz Carlos Gondim (Republicanos), com R$ 758.564,95, abaixo dos R$ 920.640,90 declarados em 2024; Rodrigo Valverde (Federação PT/PCdoB/PV), com R$ 705 mil, contra R$ 630 mil em 2024; e André Belarmino (PSD), com R$ 489.700.
Assim como Claú Camargo, André Belarmino disputa sua primeira eleição, conforme o levantamento. Por isso, também não há declaração eleitoral anterior para comparação.
Eugênio Said (Federação PT/PCdoB/PV) declarou R$ 208.500, abaixo dos R$ 310 mil informados em 2020.
Na outra ponta estão Malu Fernandes (PL) e Francisco Del Poente (Novo), que aparecem em 2026 sem bens a declarar. Há, porém, uma diferença entre os dois casos: Malu também não havia declarado bens em 2024, enquanto Francisco Del Poente informou patrimônio de R$ 1.916.555,82 naquela eleição.
O ranking dos candidatos a deputado estadual, portanto, fica:
- Clau Camargo (PSD) — R$ 2.970.006,04 — primeira eleição
- Marcos Damásio (PL) — R$ 2.865.450,00
- Dr. Rafu (Federação União Progressista) — R$ 2.680.864,07
- Rodrigo Ashiuchi (PL) — R$ 2.187.379,53
- Luiz Carlos Gondim (Republicanos) — R$ 758.564,95
- Rodrigo Valverde (Federação PT/PCdoB/PV) — R$ 705.000,00
- André Belarmino (PSD) — R$ 489.700,00 — primeira eleição
- Eugênio Said (Federação PT/PCdoB/PV) — R$ 208.500,00
- Malu Fernandes (PL) — não declarou bens
- Francisco Del Poente (Novo) — não declarou bens
Do patrimônio zero aos quase R$ 3 milhões
O levantamento mostra uma grande diferença patrimonial entre os candidatos do Alto Tietê. Entre os federais, o maior valor, de Otto Rezende, é de aproximadamente R$ 1,59 milhão, enquanto Felipe Lintz declarou não possuir bens.
A distância é ainda maior na disputa estadual. Clau Camargo informou pouco mais de R$ 2,97 milhões, enquanto Malu Fernandes e Francisco Del Poente aparecem sem bens declarados em 2026.
As comparações com eleições anteriores, entretanto, precisam ser interpretadas com cautela. Uma variação no total declarado não significa necessariamente ganho ou perda financeira equivalente no período. Mudanças podem decorrer da aquisição ou venda de imóveis, veículos e investimentos, alteração na composição patrimonial e nos valores informados à Justiça Eleitoral, entre outros fatores.
Também chama atenção o caso de Francisco Del Poente: o documento utilizado no levantamento aponta patrimônio de R$ 1,916 milhão em 2024, enquanto em 2026 consta que não há bens a declarar. O dado indica uma mudança expressiva entre as declarações, mas, isoladamente, não permite determinar o motivo da diferença.
Campanhas têm teto milionário de gastos
O patrimônio pessoal dos candidatos não deve ser confundido com os recursos que poderão ser utilizados na campanha eleitoral. Para as eleições de 2026, o TSE manteve os limites de gastos nos mesmos patamares aplicados em 2022. A decisão foi regulamentada pela Resolução nº 23.766/2026 e os valores foram posteriormente divulgados pela Portaria TSE nº 449/2026.
Para quem concorre a deputado federal, o limite de gastos de campanha é de R$ 3.176.572,53. Já para os candidatos a deputado estadual, o teto é de R$ 1.270.629,01.
















