O aparecimento de animais silvestres em quintais, jardins, telhados e até dentro de casas exige atenção dos moradores de Mogi das Cruzes. Diante dessas situações, a Prefeitura reforça a recomendação de não se aproximar, tocar ou tentar capturar os animais.
Gambás, ouriços-cacheiros, saguis, morcegos, corujas, gaviões e serpentes estão entre as espécies que podem ser encontradas em ambientes urbanos. Segundo a administração municipal, a presença desses animais nas cidades é considerada natural, principalmente em razão da oferta de alimentos, da redução de predadores e do avanço da urbanização sobre áreas de vegetação.
O diretor da Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar, Jefferson Leite, explica que o encontro com um animal silvestre não significa necessariamente que ele esteja doente ou ofereça risco imediato.
“Embora esses encontros possam causar surpresa ou preocupação, a presença de um animal silvestre não significa, necessariamente, que ele esteja doente ou represente perigo imediato. Muitas vezes, ele está apenas utilizando o ambiente para se alimentar, descansar ou se deslocar entre áreas verdes”, explica.
Além de integrarem a biodiversidade, esses animais desempenham funções importantes para o equilíbrio ambiental. Jefferson destaca, por exemplo, a contribuição de algumas espécies no controle de pragas.
“Gambás e sapos, por exemplo, são excelentes controladores de pragas, como aranhas, escorpiões e até serpentes”.
Cuidados
A orientação da Prefeitura é não alimentar, perseguir, tocar, capturar ou tentar afugentar os exemplares. Mesmo animais que aparentam ser dóceis podem reagir quando se sentem ameaçados, provocando mordidas e arranhões.
O contato também pode representar riscos à saúde humana e dos animais domésticos, devido à possibilidade de transmissão de doenças, como a raiva.
Os morcegos demandam atenção especial. Caso um exemplar seja encontrado caído, dentro de uma residência ou em circunstâncias incomuns, não deve ser manipulado, mesmo que aparente estar morto ou debilitado.
Nessas situações, moradores devem manter crianças, adultos e animais domésticos afastados e entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Mogi das Cruzes para receber orientações sobre a avaliação e o encaminhamento do animal.
O atendimento pode ser solicitado pelos telefones (11) 4798-6917 ou pelo WhatsApp (11) 99897-9307.
Em caso de mordida, arranhão ou contato de saliva do animal com os olhos, a boca ou ferimentos, a recomendação é lavar imediatamente a região com água corrente e sabão e procurar um serviço de saúde.
A orientação também vale para o contato direto com morcegos, mesmo quando não há uma mordida perceptível. A situação precisa ser avaliada por um profissional de saúde.
Como prevenir
Algumas medidas podem ajudar a diminuir a aproximação de animais silvestres das residências. Entre as recomendações estão manter o lixo devidamente acondicionado, não deixar restos de alimentos expostos, evitar oferecer comida aos animais e impedir acessos desnecessários a forros e outros espaços que possam servir de abrigo.
A Prefeitura também orienta que crianças e animais domésticos sejam mantidos afastados da fauna silvestre. Pedras, paus, fogo e produtos químicos não devem ser utilizados para espantar os exemplares.
Ninhos, tocas e outros abrigos também não podem ser destruídos por iniciativa dos moradores.
Jefferson Leite ressalta que a intervenção em ninhos e abrigos naturais pode configurar crime ambiental.
“Ninhos, por exemplo, não devem sofrer nenhuma intervenção humana, pois são protegidos por lei e mexer neles é considerado crime ambiental, previsto no Artigo 29, § 1º, inciso II, da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), que proíbe modificar, danificar ou destruir ninho, abrigo ou criadouro natural da fauna silvestre. A pena é de detenção de 6 meses a 1 ano e multa. Em casos de conflito urbano (como aves que fazem ninhos em telhados ou garagens), o correto é acionar a Polícia Militar Ambiental ou o órgão ambiental local para o devido resgate ou orientações”, esclarece o diretor.
A recomendação, portanto, é evitar qualquer intervenção por conta própria e buscar orientação dos órgãos responsáveis sempre que houver um animal silvestre em situação de risco ou conflito com moradores.

