
Mogi das Cruzes terá 71 novas vagas de hemodiálise para pacientes renais crônicos. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (14), após uma reunião entre representantes da Prefeitura e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. A medida deverá permitir que moradores que atualmente precisam viajar para outras cidades possam realizar o tratamento em Mogi, com prioridade para aqueles atendidos em locais mais distantes, como a capital paulista.
A transferência para uma unidade mais próxima dependerá da concordância do próprio paciente. A ampliação da oferta é resultado de negociações entre o município e o governo estadual e tem como objetivo reduzir deslocamentos e melhorar as condições de acesso ao tratamento.
A reunião ocorreu na manhã desta sexta-feira, na Secretaria de Estado da Saúde, com a participação do vice-prefeito Téo Cusatis, que representou a prefeita Mara Bertaiolli, da secretária municipal de Saúde e Bem-Estar, Rebeca Barufi, e de integrantes das equipes das duas secretarias.
A necessidade de aumentar a oferta de hemodiálise em Mogi foi um dos principais pontos apresentados durante o encontro. Atualmente, parte dos pacientes precisa se deslocar até São Paulo para cumprir uma rotina de tratamento que exige sessões frequentes.
Para quem convive com doença renal crônica, o tempo gasto no trânsito se soma às próprias horas dedicadas à hemodiálise, aumentando o desgaste físico e interferindo na rotina e na qualidade de vida.
“Estamos trabalhando para que o mogiano que precisa de hemodiálise possa fazer seu tratamento o mais perto possível de casa. É uma questão de saúde, mas também de dignidade e qualidade de vida. Essas 71 vagas representam um avanço muito importante e são resultado de uma articulação permanente da Prefeitura junto ao Governo do Estado. Agora, ofertaremos às pessoas que estão tratando a doença em unidades que ficam mais distantes e, claro, só faremos a transferência se o paciente aceitar”, destacou o vice-prefeito.
A ampliação está prevista no Termo Aditivo 06/2026, publicado em 12 de agosto e assinado em 4 de agosto. O documento altera cláusulas relacionadas aos recursos do Fundo Nacional de Saúde e do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação do contrato firmado em 2022.
O coordenador da Coordenadoria de Regiões de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Glalco Cyriaco, afirmou que a demanda apresentada pelo município é pertinente e destacou a possibilidade de desenvolver ações com impacto regional.
“A reivindicação é legítima e estamos trabalhando para encontrar os melhores caminhos dentro da organização regional da assistência. O Téo sempre coloca que Mogi está à disposição para receber projetos inovadores do Estado e essa disponibilidade é muito importante para construirmos soluções que possam beneficiar não apenas o município, mas toda a região”, afirmou.
A secretária municipal de Saúde e Bem-Estar, Rebeca Barufi, também ressaltou que a reorganização dos atendimentos poderá beneficiar pacientes de outros municípios do Alto Tietê.
“Essa conquista não beneficia apenas Mogi das Cruzes. Como existe uma rede regional de atendimento, os remanejamentos entre as unidades que atendem os pacientes do Alto Tietê também permitirão reorganizar os fluxos e ampliar o acesso ao tratamento para moradores de outras cidades”, explicou.
Diálise peritoneal
Além da ampliação das vagas de hemodiálise, o encontro discutiu alternativas para melhorar o acompanhamento de pessoas com doença renal e evitar que elas cheguem a estágios mais avançados.
O médico nefrologista Farid Samaan, integrante do Grupo de Planejamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, apresentou informações sobre o tratamento da doença renal, com destaque para a diálise peritoneal. A modalidade pode ser realizada em casa e é uma das alternativas para o acompanhamento de pacientes antes que seja necessário iniciar a hemodiálise em estágios mais avançados.
Segundo Farid, aproximadamente 98% dos pacientes que chegam para iniciar a hemodiálise estão internados e apresentam quadros graves. A avaliação apresentada é de que parte dessas situações poderia ser evitada ou ter a evolução retardada com diagnóstico mais precoce, acompanhamento adequado e maior acesso à diálise peritoneal.
A discussão, portanto, também apontou para a necessidade de investir em prevenção, identificação antecipada da doença e alternativas de tratamento que possam reduzir internações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Atenção Primária
A reunião também resultou em uma articulação para capacitar profissionais da Secretaria Municipal de Saúde e Bem-Estar. A médica Regina Bichaff, da Secretaria de Estado da Saúde, deverá participar da atividade, que será voltada à atualização das estratégias de atenção primária.
A capacitação ainda terá a data definida e deverá reunir profissionais municipais para troca de experiências, atualização técnica e discussão de práticas que possam ser aplicadas na rede de atendimento.
“Mogi está à disposição para receber projetos-piloto e boas práticas em saúde. Essa é uma grande prioridade da prefeita Mara e minha também. Estamos sempre buscando novas soluções, investindo em inovação e procurando aquilo que pode tornar a gestão pública mais eficiente e fazer com que o atendimento à população seja cada vez melhor”, afirmou.
Uma nova reunião deverá ser realizada na próxima semana para definir os detalhes da implantação das novas vagas de hemodiálise e da capacitação dos profissionais.














