
O tempo esfria e o nariz entope. A congestão nasal pode ser um sintoma comum em casos de rinite, sinusite, resfriado, gripe e covid-19, mas as causas e os tratamentos variam conforme a doença. Entre os quadros mais frequentes está a rinite, considerada uma das alergias mais prevalentes no país.
Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a condição afeta cerca de 30% da população brasileira – o equivalente a mais de 84 milhões de pessoas. Como sintomas semelhantes podem estar associados a diferentes condições respiratórias, identificar corretamente a origem do problema desde os primeiros sinais é fundamental para garantir o tratamento adequado e reduzir o risco de agravamento do quadro.
Em alguns casos, infecções respiratórias podem evoluir para complicações graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Dados do Ministério da Saúde mostram que, até 18 de abril de 2026, o Brasil registrou 5,5 mil casos de SRAG por influenza e 352 mortes.
A causa do nariz entupido não é sempre a mesma
“É muito comum o paciente já chegar dizendo ‘minha rinite atacou’ ou ‘estou com sinusite’, mas nem todo sintoma nasal significa isso”, alerta a otorrinolaringologista dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, em Curitiba (PR), Nadine Scariot. A rinite atinge a mucosa nasal, considerada a parte mais superficial do nariz, e costuma provocar a sensação de nariz que “tranca e destranca” ao longo do dia. “O quadro provoca coceira no nariz, espirros repetidos, olhos lacrimejando e secreção nasal clara, diferente da sinusite, em que a congestão é mais pesada e persistente, acompanhada de pressão no rosto, peso na cabeça e redução do olfato”, explica.
Já no resfriado, a congestão nasal começa de forma leve, com coriza clara e secreção mais espessa à medida que o quadro evolui. A gripe, quando causada pelo vírus Influenza, “costuma se apresentar com febre alta, que surge de forma abrupta, acompanhada de dores musculares intensas e prostração. Às vezes, o paciente mal consegue sair da cama”, descreve Nadine. Já na covid-19, a congestão pode estar presente, mas o sinal mais característico é outro. “A perda súbita do olfato chama atenção justamente porque pode ocorrer mesmo sem o nariz entupido”, aponta a médica.
Sinusite pode ser consequência de outros quadros
A sinusite, por outro lado, compromete regiões mais profundas da face, causando acúmulo de secreções. “Muitas vezes, a sinusite aparece depois de um resfriado ou de uma crise alérgica mal controlada. É comum o paciente começar com um quadro viral simples e, em vez de melhorar, evolui com dor facial, congestão persistente e piora dos sintomas”, pontua.
Um dos principais mitos do inverno é a crença de que tomar vento gelado, sair com o cabelo molhado ou andar descalço é suficiente para “pegar gripe”. A otorrinolaringologista esclarece que o frio, por si só, não provoca infecções respiratórias. Segundo Nadine, as baixas temperaturas e o clima seco favorecem a irritação das vias aéreas e criam condições propícias à circulação do vírus influenza e de outros agentes infecciosos. “A baixa umidade reduz a hidratação natural da mucosa nasal e prejudica a capacidade do nariz de filtrar partículas e alérgenos. Além disso, no inverno, as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, pouco ventilados e em contato com poeira, ácaros e mofo”, explica.
Sinais de alerta
Todo quadro respiratório merece atenção, mas alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica com urgência. “Falta de ar, febre persistente e piora progressiva do estado geral são sinais que não devem ser ignorados”, alerta Ricardo Gullit, clínico médico dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru. Ele destaca que idosos, crianças e pacientes com doenças respiratórias crônicas fazem parte dos grupos que requerem cuidado redobrado.
Hábitos simples ajudam a reduzir as crises respiratórias no inverno. Nadine recomenda manter os ambientes ventilados, trocar roupas de cama regularmente, evitar tapetes e cortinas que acumulam poeira. “A lavagem nasal com soro fisiológico também é uma aliada, pois ajuda a fluidificar as secreções e a remover partículas irritantes da mucosa, aliviando o desconforto respiratório”, orienta.
A vacinação reforça a prevenção. “As vacinas têm papel fundamental na prevenção de formas graves de diversas doenças infecciosas. Além de reduzir o risco de complicações e hospitalizações, elas ajudam a proteger os grupos mais vulneráveis e contribuem para a saúde coletiva. Vacinas contra gripe, covid-19, pneumonia e herpes-zóster, entre outras, são ferramentas importantes para a proteção da saúde. Por isso, vale a pena conversar com o médico para avaliar quais vacinas são indicadas e qual o melhor momento para realizá-las”, reforça Gullit.















