
Silvia Chimello
Os ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) decidiram manter a greve pelo menos até esta quarta-feira (5). A decisão foi tomada durante assembleia realizada na noite desta terça-feira (4) pelo Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil contra o processo de privatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
Durante a assembleia realizada por volta das 19 horas, a direção sindical apresentou aos ferroviários a proposta encaminhada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que prevê a manutenção dos empregos e a continuidade das negociações sobre as reivindicações da categoria. A proposta, no entanto, foi rejeitada pela maioria dos presentes.
A reunião foi transmitida ao vivo pelas redes sociais do sindicato. Após a votação, os participantes comemoraram a decisão, que, segundo eles, reforça a união dos ferroviários na mobilização contra a privatização.
Uma audiência de concilição está agendada para esta quarta-feira, ao meio-dia, na Justiça do Trabalho, com a participação do sindicato, da empresa concessionária Trivia Trens e do governo para uma audiência de conciliação na Justiça do Trabalho, na tentativa de avançar nas negociações. Depois disso, a categoria deve realizar uma nova assembleia com os trabalhadores para avaliar os próximos passos do movimento. Antes disso, representantes do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil.
Os metroviários em greve reivindicam a reestatização definitiva das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, a garantia de todos os empregos na CPTM. O sindicato, que representa os 4.700 empregados da CPTM, alega que apenas 11% dos trabalhadores da companhia nas três linhas concedidas foram transferidos para a nova empresa privada. Eles também pedem a aprovação de um projeto de lei para absorção dos funcionárikos após a privatização e a reestatização das linhas

População é atendida por operação especial (Foto: Divulgação Governo de SP)
Passageiros enfrentaram dificuldades
A paralisação provocou transtornos ao longo desta terça-feira para milhares de passageiros que utilizam os trens da CPTM em Mogi das Cruzes e nas demais cidades atendidas pelas linhas afetadas.
O Governo do Estado colocou em prática uma operação parcial para reduzir os impactos da greve, mas a medida não foi suficiente para atender toda a demanda. Nas redes sociais, passageiros compartilharam imagens de plataformas lotadas e longas filas nas estações.
Muitos usuários desistiram de ir ao trabalho, enquanto outros precisaram recorrer aos ônibus para concluir o trajeto.
A greve também divide opiniões entre os passageiros. O profissional de tecnologia da informação Tiago Mateus considera a paralisação legítima e afirma ser contrário à privatização dos serviços ferroviários. Segundo ele, optou por trabalhar em home office nesta terça-feira e pretende manter a mesma rotina nesta quarta.
Já a funcionária pública Cristina Guerra entende que a categoria poderia buscar um acordo sem prejudicar milhares de usuários. Ela contou que precisou utilizar ônibus para chegar ao trabalho e levou cerca de duas horas para percorrer o trajeto entre Mogi das Cruzes e Ferraz de Vasconcelos devido ao trânsito intenso. Na Cidade, o fluxo de veículos também ficou bastante carregado no início da noite também por causa da paralisação.
Estudantes também foram afetados pela paralisação. Muitos relataram dificuldades para chegar às escolas e universidades e demonstraram preocupação com faltas que, em alguns casos, não são abonadas pelas instituições de ensino.
Plano de contingência deve ser mantido
Tudo indica que a operação parcial nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade será mantida nesta quarta-feira (5). Até o fechamento desta reportagem, o Governo do Estado ainda não havia divulgado oficialmente a estratégia para o novo dia de greve.
Segundo informações divulgadas pela Agência SP no fim da tarde desta terça-feira, a CPTM operava com 15 trens na Linha 11-Coral, quatro na Linha 12-Safira e uma composição na Linha 13-Jade. Em condições normais de operação, a Linha 11 conta com 31 trens nos horários de pico, enquanto a Linha 12 dispõe de 24 composições e a Linha 13 opera com cinco trens.
Ainda de acordo com a Agência SP, o Governo do Estado colocou em prática um plano de contingência envolvendo a CPTM, o Metrô e a Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
Entre as medidas adotadas, a Linha 11 operou parcialmente entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases, enquanto a Linha 12 funcionou entre Brás e Engenheiro Goulart. As linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda e 10-Turquesa permaneceram em operação normal.
O Metrô antecipou a abertura das estações das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata para as 4 horas da manhã, reforçou a circulação de trens nos horários de maior movimento e ampliou o número de funcionários em estações de integração, como Itaquera, Tatuapé, Brás e Barra Funda.
Também segundo a Agência SP, a Artesp intensificou o monitoramento das linhas concedidas e o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) foi acionado com 128 ônibus para atender passageiros das linhas afetadas. Os coletivos operaram entre Estudantes e Corinthians-Itaquera, na Linha 11; entre Engenheiro Goulart e Calmon Viana, na Linha 12; e entre Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart, na Linha 13.
A Agência SP informou ainda que a Polícia Militar reforçou o policiamento preventivo nas estações ferroviárias, terminais de transporte e vias com maior circulação de pessoas, além de intensificar a fiscalização de trânsito nas regiões impactadas pela paralisação















