
A Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou o retorno da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) à operação das linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e do Serviço Expresso Aeroporto por um período inicial de até 90 dias. A decisão foi anunciada na tarde desta quinta-feira (23), após os problemas registrados desde o início da operação da concessionária Trívia Trens, que culminaram em um incêndio em uma composição da Linha 12-Safira e na paralisação do sistema ferroviário durante a manhã.
Segundo a Artesp, a medida tem como objetivo garantir a qualidade da prestação do serviço e reduzir os impactos aos passageiros. A operação conjunta entre a CPTM e a Trívia Trens está prevista no contrato de concessão e será utilizada durante o período de transição.
A decisão ocorre apenas dois dias após a concessionária assumir oficialmente a operação das linhas. Desde então, falhas operacionais vêm sendo registradas, culminando, nesta quinta-feira, em um incêndio em um trem da Linha 12-Safira entre as estações Brás e Tatuapé.
O incidente aconteceu por volta das 5h30 e, segundo a concessionária, teria sido provocado por um possível curto-circuito que desligou as subestações de energia e interrompeu a circulação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
Apesar da destruição de um dos vagões, não houve registro de feridos. Passageiros relataram momentos de tensão durante a evacuação e precisaram deixar o trem pelos trilhos com o auxílio da Polícia Militar.
Os reflexos da paralisação atingiram toda a Região Metropolitana de São Paulo, incluindo o Alto Tietê. Em Mogi das Cruzes, passageiros enfrentaram atrasos, superlotação e mudanças inesperadas na operação.
A assessora parlamentar Crista Guerra, que seguia de Mogi das Cruzes para Ferraz de Vasconcelos, contou à reportagem da Vanguarda que o trem precisou retornar de ré até Calmon Viana após passageiros descerem para os trilhos. Sem conseguir concluir a viagem, ela precisou utilizar um carro por aplicativo para chegar ao trabalho.
Retorno da CPTM
O diretor-presidente da Artesp, André Isper, classificou a situação enfrentada pelos passageiros como “inaceitável” e afirmou que o Estado agiu imediatamente para evitar novos transtornos.”O que nós vimos nos últimos dois dias, especialmente hoje, é inaceitável. Como fiscalizadores e reguladores do contrato, estamos agindo de modo imediato. A ideia é a volta da CPTM para a operação porque o que nós vimos realmente é muito ruim, muito penoso para o cidadão.”
Segundo a Artesp, a forma de atuação da CPTM será definida pela diretoria da agência reguladora. A companhia voltará a operar as linhas por um período inicial de até 90 dias, utilizando sua estrutura técnica e operacional para reforçar a prestação do serviço.
A agência informou que essa possibilidade já estava prevista no contrato de concessão. O modelo de transição prevê mecanismos de monitoramento e acompanhamento da operação e, quando os indicadores estabelecidos não são atendidos, permite o retorno da CPTM para atuar em conjunto com a concessionária.
Falhas serão investigadas
Além de determinar a operação conjunta, a Artesp anunciou que vai instaurar um procedimento para apurar as causas das ocorrências registradas nos primeiros dias da concessão.
A agência informou que irá investigar a responsabilidade da Trívia Trens pelas falhas e poderá aplicar as penalidades previstas em contrato caso sejam constatados descumprimentos das obrigações assumidas pela concessionária.
Segundo o órgão, a fiscalização continuará sendo realizada de forma permanente para garantir que o serviço volte a operar com regularidade e qualidade para os passageiros.














