
Um médico de 52 anos foi preso em flagrante na madrugada de domingo (9), em Mogi das Cruzes, suspeito de tentar matar a esposa, de 42 anos, ao atear fogo no corpo dela durante uma discussão no apartamento onde o casal mora, na Vila Oliveira. O imóvel fica em um condomínio de alto padrão. O caso foi registrado como tentativa de feminicídio e violência doméstica e familiar contra a mulher. Eles são casados há 16 anos.
De acordo com o boletim de ocorrência, guardas civis municipais realizavam patrulhamento de rotina quando foram abordados pelo supervisor de um condomínio residencial na Rua Benjamin Rodrigues Pereira. O funcionário informou que uma moradora havia relatado ter sido incendiada pelo marido durante uma discussão.
Ao chegarem ao local, os agentes encontraram a vítima com queimaduras no tronco e no pescoço. Equipes do Corpo de Bombeiros já prestavam os primeiros socorros e encaminharam a mulher ao Hospital Santana.
Ainda segundo o registro policial, a vítima afirmou aos guardas que, após discutir com o marido por causa da senha de desbloqueio do telefone celular, para acessar o conteúdo do aparelho, o homem teria jogado álcool sobre seu corpo e ateado fogo. Apesar da acusação, ela disse que não desejava registrar ocorrência nem que o marido fosse preso, alegando que não queria prejudicá-lo por ele exercer a profissão de médico. A declaração foi gravada pelos agentes e anexada ao inquérito.
O suspeito permaneceu no condomínio e foi conduzido ao 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes. Em depoimento, ele negou as acusações e apresentou outra versão dos fatos. Segundo o médico, a esposa, que segundo sofre de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), há aproximadamente cinco anos, e que não faz acompanhamento regular, teria iniciado a discussão. Segundo o depoimento do investigado, a esposa faz uso do medicamento Rivotril e o relacionamento do casal é conturbado há cerca de três anos, embora, segundo ele, nunca tenham ocorrido agressões físicas. Ele afirmou ainda que, por volta das 3 horas da madrugada, estava dormindo quando foi acordado por Priscila, que iniciou uma discussão porque ele teria esquecido a data do aniversário dela e não havia comprado um presente.
Ele afirmou que saiu do apartamento para evitar conflitos e que, momentos depois, ouviu pedidos de socorro. Ao retornar ao imóvel, disse ter encontrado a mulher com o pijama e os cabelos em chamas, apagando o fogo com uma manta antes de pedir socorro.
Como a vítima permanecia internada, o depoimento dela foi colhido por meio de gravação de áudio e vídeo, com a presença da mãe, e anexado aos autos. A perícia no apartamento não pôde ser realizada naquele momento porque o imóvel estava trancado.
Após analisar os elementos reunidos, a autoridade policial determinou a prisão em flagrante do médico pelos crimes de tentativa de feminicídio, praticado por meio cruel e no contexto de violência doméstica, conforme previsto no Código Penal e na Lei Maria da Penha.
Foram requisitados exames de corpo de delito para a vítima e exame cautelar para o investigado. Após o registro da ocorrência, o suspeito foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mogi das Cruzes, onde permanece à disposição da Justiça.














