
O trabalho desenvolvido com crianças e adolescentes atendidos nos serviços de acolhimento de Suzano ganhou uma nova etapa nesta terça-feira (26), com o lançamento do programa de apadrinhamento “Acolher com o Coração”. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Prefeitura e a 1ª Vara da Infância e Juventude da Comarca de Suzano e já está com inscrições abertas para interessados, que podem fazer o cadastro por meio do link http://bit.ly/ProgramaDeApadrinhamento.
A cerimônia de lançamento foi realizada no Anfiteatro Orlando Digenova, no centro da cidade, e marcou a ampliação do programa, que já existia no município e agora passa a contar com novas modalidades de participação.
Segundo a administração municipal, a proposta busca ampliar as possibilidades de apoio a crianças e adolescentes, desde o nascimento até os 18 anos, que vivem nos três serviços de acolhimento institucional existentes em Suzano.

Participaram do evento o prefeito Pedro Ishi, a presidente do Fundo Social de Solidariedade Déborah Raffoul Ishi, o vice-prefeito Said Raful, o presidente da Câmara Artur Takayama, além de representantes do Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública.
Vínculos
Durante a apresentação do programa, a psicóloga Sabrina Almeida destacou a importância da criação de vínculos afetivos para crianças e adolescentes acolhidos, especialmente aqueles que possuem menor possibilidade de adoção.
“Aqueles que são acolhidos viveram rupturas familiares sucessivas e a sensação de não pertencimento, e, por isso, têm dificuldades na construção de vínculos, com necessidade de segurança afetiva para seu desenvolvimento emocional. Assim, novos vínculos saudáveis podem transformar a maneira como eles passam a enxergar a si mesmos, o outro e o próprio futuro”, disse Sabrina.
Dados apresentados durante o evento apontam que, entre as 34,4 mil pessoas cadastradas para adoção no Brasil, apenas 0,3% demonstram interesse em adotar adolescentes.
Em Suzano, atualmente 57 crianças e adolescentes estão acolhidos nos três serviços existentes no município. Desse total, 13 não se enquadram no perfil mais procurado para adoção e representam o principal público-alvo do apadrinhamento afetivo, que prevê convivência periódica e fortalecimento de laços pessoais.
Outras modalidades
Além do apadrinhamento afetivo, o programa passa a contar com outras formas de participação voltadas ao desenvolvimento social, educacional e profissional dos acolhidos.
Uma das modalidades é a prestação de serviços, permitindo que profissionais e empresas ofereçam atividades ligadas à cultura, lazer, educação, saúde ou formação profissional.
Também há a modalidade de suporte financeiro, destinada ao custeio de cursos profissionalizantes, reforço escolar, esportes, idiomas e outras necessidades específicas.
Outra possibilidade é o apoio material, por meio da doação de recursos, equipamentos, móveis e utensílios para crianças, adolescentes ou instituições de acolhimento.
Já a modalidade de desenvolvimento educacional e profissional prevê apoio a cursos profissionalizantes, estágios e programas de aprendizagem.
Repercussão
O juiz responsável pela 1ª Vara da Infância e Juventude de Suzano, Heitor Moreira de Oliveira, afirmou que a ampliação do programa fortalece a rede de proteção existente no município.
“Encontramos aqui na cidade um trabalho bem estruturado nos diferentes aspectos que estão associados aos serviços para crianças e adolescentes, mas entendíamos que era necessário promover uma soma de esforços que permitisse um fortalecimento do programa de apadrinhamento, para garantir um aumento do número de modalidades e maior visibilidade junto à população”, declarou.
O prefeito destacou que a intenção também é garantir a continuidade do projeto.
“Queremos mais do que abraçar essa nova proposta, com a ampliação das possibilidades de apadrinhamento, mas queremos transformar esse programa em lei, para que seja replicado todo ano. Nosso papel é fazer o que cabe a nós e sensibilizar a sociedade para estar conosco neste processo. O apadrinhamento muda a vida de quem ajuda e especialmente de quem é apadrinhado”, afirmou Pedro Ishi.
















