sexta, 26 de junho de 2026 Anuncie
Vanguarda Alto Tietê
Foto: Sabrina Pacca

Situação de moradores de rua preocupa Mogi das Cruzes após duas mortes e novo resgate

Por Sabrina Pacca

O estado das pessoas em situação de rua voltou a preocupar Mogi das Cruzes nesta quinta-feira (25). Após duas mortes registradas em menos de 48 horas, um novo caso mobilizou equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social e do Samu no Centro da cidade.

Um homem idoso que estava deitado na entrada da loja Riachuelo, na região central, foi socorrido pelo Samu após uma abordagem da equipe da assistência social, que foi avisada pela reportagem da Vanguarda. Populares chegaram a acreditar que ele havia morrido, já que não respondia aos chamados, mas ele foi encontrado com vida e encaminhado ao hospital. Segundo uma funcionária da loja, que pediu para não ser identificada, o idoso permanecia no local desde a quarta-feira (24).

O novo atendimento ocorre após a morte de um homem de 44 anos durante a noite fria de quarta-feira e de uma mulher encontrada sem vida na manhã desta quinta-feira, ambos já acompanhados pela rede municipal.

Segundo a secretária de Assistência Social, Daniela Mariano, a mulher era atendida pela Prefeitura desde 2013, tinha residência e familiares, mas, nos últimos seis meses, alternava períodos entre a rua e a casa. Somente nos últimos 60 dias, recebeu 12 abordagens, incluindo encaminhamento para atendimento médico e uma internação, mas recusava acolhimento para continuar consumindo álcool. Ela também havia interrompido o tratamento contra tuberculose.

Já o homem que morreu havia recebido mais de 310 atendimentos da rede municipal ao longo de cerca de dez anos em Mogi. Ele chegou a ser acolhido em três oportunidades, mas abandonava os abrigos por não aceitar as regras, principalmente a proibição do uso de álcool e drogas.

A secretária afirmou que o principal desafio enfrentado hoje é a dependência química. Segundo ela, 51% das pessoas acolhidas de forma permanente apresentam transtornos psiquiátricos e são acompanhadas pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). A Prefeitura informou que estuda novas estratégias integrando assistência social e saúde para ampliar o acompanhamento desse público.

Dados da Operação Inverno mostram que, entre os dias 1º e 22 de junho, foram realizados 321 atendimentos a pessoas em situação de rua. Desse total, 187 aceitaram acolhimento e 134 recusaram o encaminhamento. Neste ano, a Prefeitura ampliou em 34 vagas a capacidade dos abrigos municipais e afirma que os espaços têm condições de receber novos usuários.

Entretanto, pessoas em situação de rua que conversaram com a Vanguarda denunciam que os abrigos estão cheios e que preferem ficar nas ruas por conta de eventuais brigas que, segundo eles, vêm acontecendo nesses locais. A Secretaria nega.

Daniela Mariano também informou que Mogi é um dos poucos municípios do Alto Tietê com uma rede completa de atendimento à população em situação de rua. Atualmente, de acordo com ela, das 348 pessoas acompanhadas pela rede municipal, apenas 41% são de Mogi das Cruzes, enquanto a maioria veio de outras cidades do Estado e até de outros estados.

Publicado em: 25 de junho de 2026

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