
Por Silvia Chimello
A Câmara de Mogi das Cruzes aprovou, durante a sessão realizada nesta terça-feira (24), uma moção que solicita à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) o reforço da segurança no transporte ferroviário, com a criação de vagões exclusivos para mulheres, especialmente nos horários de maior movimento.
A proposta é de autoria do presidente da Casa, vereador Francimário Vieira de Macedo, o Farofa (PL), e do vereador Mauro Araújo (MDB). O objetivo, de acordo com eles, é reduzir situações de constrangimento, importunação e assédio enfrentadas por mulheres no sistema ferroviário.

A moção foi apresentada pelos vereadores Francimário Farofa e Mauro Araújo (foto: CMMC)
Justificativa
Para justificar a medida, os autores destacam que milhares de trabalhadoras, estudantes e usuárias do transporte público dependem diariamente dos trens para se deslocar entre municípios do Alto Tietê e a capital paulista. Em Mogi das Cruzes, atendida pela Linha 11-Coral, o volume de passageiros é significativo, sobretudo nos horários de pico.
Nesse contexto, os vereadores apontam que a adoção de vagões exclusivos para mulheres já ocorre em diferentes sistemas de transporte no Brasil e no exterior. “Trata-se de uma iniciativa de caráter preventivo e protetivo, alinhada às políticas públicas voltadas à proteção da mulher e à promoção de um transporte público mais seguro e humanizado”, diz o texto da moção.
Debate em plenário
Durante a discussão em plenário, o presidente Farofa afirmou que a medida pode contribuir para ampliar a segurança das passageiras. “As mulheres sofrem muito com assédio no transporte ferroviário. O vagão exclusivo já deu certo em cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Vou falar com o presidente da Alesp, André do Prado, para somarmos forças. Os números de denúncias são alarmantes”, declarou.
Farofa citou ainda outras iniciativas voltadas ao público feminino. “Estamos pleiteando, por exemplo, uma Vara de Justiça específica para tratar de processos de violência contra a mulher. Isso pode acelerar respostas como medidas protetivas”, acrescentou.
Mauro Araújo também destacou a importância do tema. “Será um avanço para o público feminino. O deputado Jorge Caruso tem um projeto para obrigar as concessionárias a fornecer esse vagão específico. Podemos cobrar o presidente da Alesp, que é da região”, disse.
Segundo o parlamentar, o projeto foi reapresentado em março de 2026 na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e prevê a criação de ao menos um vagão exclusivo para mulheres em cada trem do Metrô e da CPTM.
A vereadora Inês Paz (PSOL) votou favoravelmente à proposta, mas defendeu investimentos mais amplos no sistema ferroviário. “O vagão exclusivo é uma medida paliativa. No entanto, precisamos investir em mais trens. Do contrário, as trabalhadoras viajarão amontoadas devido à lotação”, afirmou.
Já a vereadora Priscila Yamagami (PL) também se posicionou a favor da iniciativa. “Infelizmente, as mulheres ainda circulam com medo. É preciso combater a violência e discutir suas causas”, disse.
Encaminhamento
A moção será encaminhada ao Governo do Estado de São Paulo, à Secretaria de Parcerias em Investimentos, à CPTM e às concessionárias responsáveis pela operação das linhas ferroviárias metropolitanas. O documento solicita a análise de viabilidade e a eventual implantação de vagões exclusivos para mulheres, especialmente nas linhas que atendem o Alto Tietê.















