
Por Sabrina Pacca
Desde o início do ano, uma série de trocas nas chefias das polícias em Mogi das Cruzes tem causado perplexidade e insegurança — tanto entre os servidores públicos quanto na população. A mais recente preocupação gira em torno da possível transferência do atual comandante do 17º Grupamento do Corpo de Bombeiros, Lucas Ricardo Miatelo, promovido à patente de major no último dia 25 de agosto.
Com mais de duas décadas de experiência na Região, Miatelo coordena os bombeiros de Mogi, cidade onde nasceu, cresceu e consolidou sua carreira profissional e, portanto, a conhece muito bem. Segundo apurou a Vanguarda, os próprios servidores temem que mudar o comando dos bombeiros para uma pessoa que não seja do município pode contribuir para que a prestação do serviço tenha uma piora significativa.
Procurada, a Secretaria de Segurança Pública do Estado afirmou, por meio de nota oficial, que as movimentações fazem parte de uma política de rotina: “A mudança é decorrente de promoções de oficiais ocorridas em 25 de agosto. Desde o início da atual gestão, uma série de movimentações de rotina tem sido efetivadas junto às polícias paulistas, incluindo o Corpo de Bombeiros. Tais medidas são planejadas e executadas a partir de critérios estritamente técnicos com o objetivo de aprimorar constantemente a atuação policial.”
Trocas em série
A possível saída do major, no entanto, parece integrar uma política mais ampla de substituições promovida pela atual gestão da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Desde fevereiro deste ano, por exemplo, na Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, o que se vê é uma onda de trocas nas unidades policiais da cidade.
Delegados com anos de serviços prestados, que lideravam investigações importantes e promoviam reestruturações internas, estão sendo removidos abruptamente de seus cargos. Nos bastidores, o clima é de frustração e insegurança. A consequência direta pode ser a descontinuidade de projetos, o esvaziamento de lideranças locais e um sentimento generalizado de instabilidade. “Para uma cidade que enfrenta desafios constantes em segurança pública, esse tipo de instabilidade pode representar um retrocesso”, lamenta um servidor.
A crítica ganha ainda mais força quando se observa o perfil dos substitutos: em sua maioria, oriundos de outras regiões do estado, desconhecendo a realidade, o histórico e as demandas específicas da população mogiana. Para muitos, trata-se de um verdadeiro “desmonte” da segurança pública local.















