
Por Maria Salas
Moradores dos bairros Parque Santana e Alto Ipiranga, em Mogi das Cruzes, vivem dias de apreensão diante da atuação recorrente de um grupo de jovens que tem circulado pelas ruas durante a madrugada, promovendo tentativas de invasão e causando prejuízos materiais. A situação mais crítica tem sido registrada na Rua João Augusto de Moraes, no Parque Santana. A rua é sem saída e termina às margens de um córrego por onde passa o rio Tietê, que faz a ligação entre o Mogi Moderno, pela avenida Pedro Machado, e o bairro em questão. Além disso, esse trecho do rio serve como passagem de acesso ao Parque da Cidade, localizado nas proximidades e vizinho direto dessa via.
De acordo com o que apurou a reportagem da Vanguarda com os moradores, e que se comprovam por meio dos vídeos enviados por eles, o grupo é formado por cerca de seis a oito pessoas que agem em bando, sempre durante a madrugada. Na noite de domingo (17) para segunda-feira (18), por volta das 2h40, os suspeitos arrombaram o portão de uma residência com a intenção de furtar uma motocicleta. Apesar da tentativa, o crime não foi consumado. A Polícia Militar foi acionada pelo 190 e compareceu ao local, mas os suspeitos já haviam fugido.
Mesmo com a presença eventual de um guarda circulando de motocicleta e com a maioria das residências contando com câmeras de monitoramento, os moradores afirmam que isso não tem sido suficiente para intimidar o grupo, que utiliza capuzes e máscaras para dificultar a identificação.
Na madrugada seguinte, os suspeitos voltaram a agir. Segundo os moradores, o grupo acessa a rua por meio de um córrego localizado no final da via, que dá passagem tanto para a rua quanto para os fundos do Parque da Cidade. Esse acesso tem facilitado a entrada e a fuga deles. Em uma das residências, dois portões de ferro foram arrombados (conforme mostram as fotos abaixo), o que gerou prejuízo ao morador e aumentou ainda mais a sensação de insegurança. “Eles chegam assim, em bando, permanecem observando as casas e analisam a movimentação antes de agir. A maioria das casas têm câmeras de segurança, mas isso não basta. Eu tive de colocar a minha moto em outro lugar, pra não ficar na vista deles. Uma das vezes, abriram o portão, já danificadio, mas eu ouvi e sai a tempo. Eles fugiram”, diz o morador da residência que teve o portão danificado, e prefeiru não se identificar.
Ele conta que os moradores possuem um grupo de WhatsApp, denominado Vizinhos, para monitorar movimentações suspeitas e alertar uns aos outros. Aliás, esse mesmo morador ressalta que esta é a primeira vez que enfrentam uma situação desse tipo, com indivíduos circulando em bando pela via de forma recorrente.
Os moradores pedem providências urgentes das autoridades, como o reforço do policiamento noturno, com rondas, e a instalação de barreiras físicas ou intervenções urbanas que impeçam o acesso pelo córrego, apontado como rota de entrada dos suspeitos. Por meio de nota, a Prefeitura de Mogi destaca que: “Uma equipe da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e Zeladoria irá ao local para vistoriar a iluminação pública e verificar a possibilidade de atender ao pedido com relação à colocação de grades.”.
Para os moradores, medidas preventivas são fundamentais para evitar que as tentativas de invasão evoluam para algo mais grave.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Mogi com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado que responderam por meio de nota. Leia na íntegra a seguir:
Residência que teve o portão danificado
Resposta da Prefeitura de Mogi
“A Secretaria Municipal de Segurança de Mogi das Cruzes informa que a segurança pública é um dever constitucional do Governo do Estado e a Guarda Civil Municipal tem auxiliado as Polícias Civil e Militar neste trabalho.
Área que serve de acesso ao grupo que tem percorrido a via nos últimos dias
Resposta da SSP
“A SSP reafirma seu compromisso no combate à criminalidade em Mogi das Cruzes. As estatísticas criminais são permanentemente analisadas para orientar o policiamento nas ruas e investigações em todo o estado. A Polícia Militar tem intensificado o patrulhamento nas áreas com maior incidência criminal, enquanto a Polícia Civil realiza operações específicas visando identificar receptadores e desarticular a cadeia ilícita que alimenta os crimes patrimoniais. Os roubos e furtos apresentaram queda de 17,1% e 3,4%, respectivamente, durante os primeiros onze meses de 2025. Além disso, 1.720 infratores foram presos ou apreendidos (um aumento de 7,6%) e 89 armas de fogo foram retiradas das ruas (um crescimento de 25,4%).
A Polícia Civil está à disposição das vítimas para registrar as ocorrências em qualquer unidade policial, ou de forma online, por meio da Delegacia Eletrônica.”






















