
Por Maria Salas
Quem está aproveitando as férias de janeiro em Mogi das Cruzes tem bons motivos para incluir o Sesc no roteiro cultural dos próximos dias. A unidade preparou uma programação especial que reúne música e teatro, com atrações gratuitas e propostas que prometem agradar a diferentes públicos, do instrumental sofisticado aos ritmos populares brasileiros, além de um espetáculo teatral reflexivo.
Nesta quinta-feira (22), às 20h, o palco Geodésica recebe o Trio Zaz com o show “Djavanear”, uma releitura instrumental envolvente de grandes sucessos de Djavan. Canções como “Azul”, “Flor de Lis”, “Lilás”, “Oceano”, “Eu Te Devoro”, “Meu Bem Querer” e “Sina” ganham novos arranjos em um espetáculo dinâmico, que valoriza a musicalidade e a emoção presentes na obra do cantor e compositor alagoano. A apresentação é indicada para maiores de 12 anos e promete conquistar tanto fãs do artista quanto quem aprecia boa música brasileira.

Já no domingo (25), ainda no espaço Geodésica, às 16h, a trilha sonora muda de clima e convida o público a celebrar as raízes da cultura popular nordestina com o Três de Raiz. Formado no interior de São Paulo, o trio leva ao palco um repertório que passeia pelo baião, xote e forró, com sonoridade leve e cheia de identidade. É o forró pé de serra. Com classificação livre, o show é um convite para todas as idades curtirem uma tarde musical marcada pelo ritmo, pela poesia e pela conexão com a terra.

Três de Raiz
No dia 29 de janeiro (quinta-feira), ainda no espaço Geodésica, o público confere, às 20h, o duo LUAU, formado pelos cantautores PH Moraes e Fernando Pivelli. A dupla é conhecida por sua mistura contagiante do ritmo Ijexá, com raízes na música baiana e influências da MPB. Com tom alegre e vibrante, o LUAU apresenta um show que é a cara do verão. No palco, os artistas estarão acompanhados por Renato Lellis na bateria, Vinicius Sampaio no baixo e Denny Conceição na percussão.

O LUAU apresenta um show que é a cara do verão
Teatro
A programação teatral também ganha destaque. Na sexta-feira (23), às 20h, com o espetáculo “A solidão do feio”, protagonizado por Sidney Santiago Kuanza, da Cia Os Crespos. A apresentação acontece na Geodésica e propõe uma reflexão sensível e necessária sobre identidade, solidão e pertencimento, por meio de uma encenação intensa e provocadora. A atividade é presencial e gratuita.
Um ator em um estúdio improvisado e uma equipe fazem o exercício ficcional de recriar fragmentos da trajetória da vida e obra do escritor Afonso Henrique de Lima Barreto. O personagem é contado em primeira pessoa com suas certezas, contradições e sonhos de futuro.
A Solidão do Feio é parte de um projeto que, desde 2014, estuda e reflete sobre as masculinidades negras, investigando como o racismo afeta a mente, as emoções e a individualidade de homens negros. O monólogo faz parte de uma trilogia da Cia. Os Crespos, chamada Masculinidade & Negritude, que homenageia homens negros importantes nos âmbitos político, artístico e cultural. Assim como Lima Barreto, João Francisco dos Santos (Madame Satã) e Benjamim de Oliveira são figuras centrais neste estudo coordenado por Sidney Santiago Kuanza.

“A solidão do feio”, protagonizado por Sidney Santiago Kuanza, da Cia Os Crespos
A programação segue no sábado (24), às 16h, com o espetáculo “A Cavaleira”, apresentado gratuitamente pelo Grupo Bota Fulô. A peça presta uma homenagem sensível ao circo itinerante e à força das palhaças latino-americanas, ao contar a história de Palafita e Massapê, dois artistas que perdem seu lar e ofício após a venda do terreno do circo para uma grande empresa. Inspirados pelas aventuras de Dom Quixote, eles embarcam em uma jornada poética para recuperar o que lhes foi tirado.
Com direção de Vini Silveira, dramaturgia de Ricardo Martins e do próprio diretor, o espetáculo combina narrativa não linear, estética marcante e humor delicado, conduzidos pela figura do narrador, que transforma o ritmo da história. Voltado ao público infantojuvenil, mas capaz de emocionar espectadores de todas as idades, “A Cavaleira” reforça o compromisso do Sesc em oferecer teatro acessível, criativo e cheio de significado para quem curte as férias com arte e imaginação.















