
Silvia Chimello
O restaurante Da Fazenda deve reabrir suas portas nesta terça-feira (14/10) dez dias após ser interditado pela Vigilância Sanitária de Mogi das Cruzes por ter constatado diversos casos de intoxicação alimentar entre funcionários e clientes. O problema ocorreu no sábado (4/10), apenas três dias depois da inauguração da unidade, no Jardim Aracy.
A Secretaria Municipal de Saúde confirma a desinterdição, informando que o estabelecimento atendeu às exigências sanitárias.
Em nota publicada nas redes sociais, o restaurante diz que cumpriu todas as determinações do órgão fiscalizador e afirma que “durante a vistoria realizada pelos órgãos competentes, não foi constatado nenhum problema relacionado aos alimentos ou à cozinha do restaurante”.
A Vigilância Sanitária, no entanto, relatou que, na vistoria de 4 de outubro, foram encontradas falhas de procedimento e situações precárias no alojamento masculino, incluindo surto diarreico entre funcionários, o que motivou a interdição do restaurante pelo risco de contaminação dos alimentos. Após nova inspeção no dia 10, o órgão verificou o cumprimento das adequações exigidas e liberou o funcionamento do restaurante.
Além da questão sanitária, o caso também envolve suspeitas de trabalho análogo à escravidão. A direção do estabelecimento trouxe cerca de 170 trabalhadores do Nordeste, a maioria de Pernambuco, para atuar em Mogi. Na ocasião, além de interditar o restaurante, a Prefeitura também se deparou com as condições precárias no alojamento, desativou o espaço, registrou Boletim de Ocorrência, acionou o Ministério Público do Trabalho (MPT) e retirou os trabalhadores e os acomodou no Pró-Hiper, muitos deles com sintomas de intoxicação alimentar.
A Secretaria de Saúde reforça que foram contabilizados 24 atendimentos de funcionários e 13 de clientes com sintomas de intoxicação em unidades de saúde públicas e privadas da cidade, entre os dias 3 e 4 de outubro.
Segundo a Prefeitura, “os trabalhadores cujo alojamento foi temporariamente desativado foram levados para o Pró-Hiper em uma ação da assistência social municipal, devido à situação de vulnerabilidade. Todos os acolhidos deixaram o local no dia 7 de outubro com destino às cidades de origem, sob responsabilidade do restaurante”, diz a nota da Prefeitura ao confirmar que foi sim constatado problemas e atualizar sobre a situação dessas pessoas que haviam sido contratadas pela Fazenda.
Apesar disso, o restaurante afirma que “não houve qualquer tipo de exploração ou irregularidade em relação aos colaboradores” e alega que “um grupo de pessoas que não integravam a equipe, por não ter sido aprovado no processo seletivo, foi quem criou o tumulto vinculado de forma errada pela mídia”.
O Ministério Público do Trabalho, por sua vez, informou à Vanguarda Alto Tietê que instaurou o Inquérito Civil nº 000698.2025.02.004/5, com base em denúncia sigilosa, para apurar possíveis condições degradantes de trabalho.
“O procedimento está em fase inicial de apuração. Foram determinadas diligências, como o envio de ofícios à Vigilância Sanitária e ao grupo móvel da SRTE, além da notificação ao sindicato da categoria. O prazo para retorno é de 30 dias. Ainda não há conclusão sobre o caso, e o MPT segue acompanhando os desdobramentos”, informou o órgão.














