
Silvia Chimello
O volume das represas que formam o Sistema Produtor Alto Tietê (SPAT) caiu para 30,5% da capacidade nesta segunda-feira (25/08), bem abaixo dos 54,5% registrados no mesmo período do ano passado. A redução de quase 24 pontos percentuais em um ano evidencia o impacto da estiagem prolongada e acende um alerta sobre a situação hídrica na região.
Apesar do cenário preocupante, o abastecimento em Mogi das Cruzes não corre risco imediato de racionamento, segundo o Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae). Isso porque a captação é feita no Rio Tietê, na Estação Pedra de Afiar, onde o nível da água está em 1,22 metro, considerado adequado para o processo. Há quatro meses, o canal registrava 1,50 metro e, no mesmo período do ano passado, 1,65 metro, o que mostra também uma tendência de queda.
O Semae ressalta que o nível do Tietê no ponto de captação não depende apenas das chuvas, mas também da operação das represas a montante, feita pela Sabesp e SP Águas. “É importante esclarecer que a demanda por água doce já supera a disponibilidade hídrica. O aquecimento global provoca secas prolongadas e o desmatamento descontrolado destrói nascentes e reduz a capacidade da natureza de regular os ciclos da água. É fundamental que todos repensem o consumo, porque a água é nosso recurso mais precioso”, destacou o diretor-geral do Semae, José Luiz Furtado.

Mogi é abastecida com a água captada na Estação Pedra de Afiar, no Rio Tietê (Foto: PMMC)
Já o quadro do SPAT vem se agravando nas últimas semanas. No dia 25 de julho, os reservatórios estavam em 35,8%, mas perderam mais de cinco pontos percentuais em apenas um mês. A falta de chuvas é um dos principais fatores. Em agosto do ano passado, a região registrou 31,7 milímetros de precipitação, contra apenas 2,5 milímetros neste ano.
Entre as cinco represas do sistema, a Jundiaí apresenta a situação mais crítica, com 18,59% da capacidade. Em seguida aparecem Biritiba, com 26,02%, e Ponte Nova, com 29,79%. Taiaçupeba está em 38,64% e Paraitinga tem a condição mais favorável, com 48,32%.
Outros mananciais que abastecem a Grande São Paulo também enfrentam baixos níveis, mas em situação menos grave que a do Alto Tietê. O Sistema Cantareira, por exemplo, está com 36,1% da capacidade, enquanto Guarapiranga opera com 55,6%, segundo dados do Portal dos Mananciais.
O mês de julho já havia registrado o segundo menor volume de chuvas desde 2012 na região do Alto Tietê, com apenas 7,1 milímetros. Em agosto, o índice caiu ainda mais, para 2,5 milímetros até o momento. Especialistas alertam que, se não houver melhora no regime de chuvas nos próximos meses, a região poderá enfrentar maiores dificuldades no abastecimento, reforçando a necessidade do uso consciente da água pela população.
SEMAE ALERTA
Mesmo sem riscos de racionamento por enquanto, o Semae reforça o alerta sobre o uso consciente de água é permanente, sobretudo nos meses mais quentes do ano (que se aproximam), em que o consumo é mais elevado. Veja alguma dicas para economizar água:
* Tome banhos de, no máximo, 5 minutos, e feche o chuveiro enquanto se ensaboa;
* Feche a torneira enquanto escova os dentes (ou, melhor ainda, use um copo com água);
* Se utiliza máquina de lavar, faça isso com o equipamento cheio (apenas quando tiver carga suficiente para completá-lo)
* Feche a torneira ao ensaboar as louças;
* Evite utilizar a mangueira para lavagem de veículos. Opte pelo balde;
* Evite a mangueira para regar plantas. Use regador;
* Não use mangueira para limpeza de calçada. Utilize vassoura;
* Sempre que possível, reutilize água (a água que sai da máquina de lavar, por exemplo, pode ser usada para lavar quintal, banheiro, calçada etc.);
* Não utilize o vaso sanitário como lixeira;
* Identifique possíveis vazamentos internos e, se constatados, faça os devidos reparos.














