
Silvia Chimello
Uma moção de aplausos pela implantação de duas escolas cívico-militares em Mogi das Cruzes gerou intensos debates durante a sessão da Câmara Municipal desta quarta-feira (07). A matéria, apresentada pelo vereador Otto Rezende (PL), foi aprovada com três votos contrários e uma abstenção, após discussões marcadas por divergências ideológicas e críticas à gestão da educação pública estadual.
A moção presta “Votos de Aplausos e Congratulações” às escolas estaduais Frei Thimóteo Van Den Broeck, no Jardim Esperança, e Euryclides de Jesus Zerbini, no Jardim Margarida, que integrarão o modelo cívico-militar a partir de julho de 2025. O programa tem o aval do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), e segue a linha adotada anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Essa transformação representa um marco importante para a educação pública em nosso município, destacando-se pelo empenho da equipe gestora, diretoria, dos professores, servidores e alunos. De forma democrática e participativa, a comunidade escolar optou por um novo modelo de gestão, voltado à valorização da disciplina, do civismo, da cidadania e da qualidade de ensino”, ressaltou Otto,
Segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), a escolha das unidades foi feita após consulta pública, com mais de 106 mil votos em todo o estado, dos quais 87% foram favoráveis à adoção do novo modelo. O governo estadual afirma que o projeto não altera o conteúdo pedagógico das escolas, que continuarão seguindo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Policiais militares aposentados atuarão como auxiliares na gestão e disciplina, sob comando da direção escolar.

Vereador Felipe Lintz (Foto: Diego Barbieri/CMMC)
A propositura foi defendida também pelo vereador Felipe Lintz (PL), que já havia apresentado moção semelhante na semana anterior. Ambos destacaram a valorização da disciplina, civismo e melhoria na qualidade do ensino como benefícios do modelo.

Vereadora Inês Paz ((Foto: Diego Barbieri/CMMC))
Do outro lado do debate, a vereadora e educadora Inês Paz (PSOL) votou contra e fez duras críticas à militarização do ensino. Ela defende mais investimentos na estrutura das escolas, nas condições de trabalho dos professores e no fortalecimento do sistema pedagógico tradicional. Segundo Inês, os bairros contemplados não têm outras unidades escolares próximas, o que limita a liberdade de escolha das famílias. “Temos que construir uma escola democrática e plural, e não transformar a escola em quartel”, afirmou. Além dela, os outros dois contrários foram dos vereadores Iduigues Martins (PT) e Rodrigo Romão (PcdoB).

Vereador Mauro Araújo ((Foto: Diego Barbieri/CMMC))
Mauro Araújo (MDB) também fez ressalvas, mesmo não votando contra. Para ele, o foco deveria ser discutir a qualidade do ensino público e as deficiências da rede estadual. “Não vejo moção aqui cobrando a falta de professores, a merenda de péssima qualidade ou os prédios que precisam de reforma. Politizar a educação é um erro”, disse.
Otto respondeu duramente à crítica de Araújo, lembrando que ele ficou fora da Câmara no último mandato. “Todos os vereadores têm atuado pelas melhorias na educação. Quando alguém chega agora e desqualifica esse trabalho, não podemos aceitar. Acreditamos no modelo cívico-militar e vamos defender essa proposta quantas vezes forem necessárias”, concluiu.














