
Por Sabrina Pacca
O terreno do Clube Náutico Mogiano, na Vila Mogilar, em Mogi das Cruzes, foi vendido em leilão judicial por R$ 2,2 milhões, mas a Prefeitura já se mobilizou para evitar que o espaço seja utilizado para fins de especulação imobiliária.
O leilão aconteceu no dia 26 de junho de 2025, de forma online, através do portal Valero Leilões, sob a condução do leiloeiro oficial José Valero Santos Júnior. O imóvel, avaliado em R$ 5,55 milhões, acabou arrematado pela empresa Fabergé Prime Ipiranga SPE Ltda., de Suzano, representada por Hugo César Bob. No ato, a empresa deu R$ 550 mil de entrada, equivalente a 25% do valor, e iria quitar o restante em 30 parcelas mensais de R$ 55 mil, corrigidas pela inflação. Porém, com o decreto municipal e a desapropriação da Prefeitura, qualquer ato por parte do comprador fica inviabilizado.
O representante da empresa no leilão, Hugo César Bob, é um nome já conhecido em Mogi das Cruzes pelo trabalho no setor financeiro e no esporte. Ele é um dos responsáveis pela HIC Investimentos, que recentemente reinaugurou sua sede no município, com foco em assessoria personalizada e soluções inteligentes de investimentos. Além disso, Bob também atua na gestão esportiva: é um dos empresários que formam a All Sports, empresa que passou a administrar o Mogi Basquete e também apoia o Mogi Vôlei.
O terreno leiloado tem 18,4 mil metros quadrados e fica às margens do Rio Tietê. Apesar de registrado como um lote “sem benfeitorias”, o local conta com diversas estruturas utilizadas há décadas pelo clube, como campo de futebol gramado com pista de corrida, quadra de tênis de saibro, playground, espaço de churrasco com banheiros e áreas de vegetação nativa.

Alerta
Com a valorização imobiliária da região, investidores têm demonstrado interesse pela área, o que acendeu um alerta na administração municipal. Para impedir que o terreno fosse utilizado de forma desvinculada de sua função histórica e social, a Prefeitura de Mogi das Cruzes editou o Decreto nº 23.739, de 4 de agosto de 2025, declarando a área de utilidade pública para fins de desapropriação.
A Vanguarda apurou, inclusive, que o arrematador do terreno no leilão estava prestes a concluir uma negociação do espaço para uma construtora – revenda frustrada por causa da ação rápida da Administração Municipal.
Segundo a Prefeitura, a medida busca preservar o espaço e garantir que ele continue tendo destinação de interesse coletivo, evitando que a área passe para mãos de investidores que não possuem ligação com a cidade. A intenção é que, a exemplo do que ocorreu com o antigo Clube Siderúrgico — transformado no Parque da Cidade —, o terreno do Náutico possa ser integrado ao patrimônio público com uso voltado ao lazer, esporte e cultura.
O decreto abre caminho para que o município possa buscar acordos amigáveis ou judiciais com credores do clube, mantendo a área sob controle público. A gestão reforça que essa ação não é isolada, mas parte de uma política de proteção de imóveis de importância histórica e social, diz a Prefeitura, que emitiu uma nota oficial a respeito.
Além disso, a Administração destaca que medidas semelhantes já vêm sendo adotadas no âmbito estadual, com leilões de imóveis públicos realizados de forma eletrônica, com mais transparência e modernização, conforme prevê a Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/21).














