
Por Sabrina Pacca
Moradores de Mogi das Cruzes têm enfrentado dificuldades para utilizar os parquímetros da Estapar, responsável pela cobrança da Zona Azul na cidade. A principal queixa é que muitos equipamentos não estão aceitando pagamento por cartão de crédito ou débito, obrigando motoristas a buscar alternativas pouco práticas ou, em alguns casos, de difícil acesso.
Além do cartão, cujas máquinas, em muitos equipamentos, não estão funcionando, a Estapar disponibiliza o pagamento em dinheiro e pelo aplicativo. Mas os usuários relatam obstáculos em ambas as opções: moedas e cédulas se tornaram raras no dia a dia, enquanto o aplicativo depende de conexão à internet e de um processo de cadastro fácil, mas que nem todos dominam, especialmente os mais idosos.
Enquanto buscam um parquímetro em funcionamento ou tentam se adaptar a outro meio de pagamento, motoristas correm o risco de serem multados pela falta do tíquete.
A aposentada Maria Aparecida Lopes, de 73 anos, contou que já evitou estacionar no Centro por não conseguir usar os aparelhos. “Eu não tenho costume com aplicativo de celular, não sei baixar essas coisas. Outro dia tentei pagar no parquímetro perto do calçadão e não aceitava cartão. Fiquei rodando até achar um que funcionasse. Nesse tempo, fiquei com medo de ser multada. É muito complicado para a gente que não entende de tecnologia”, desabafou.
Para o autônomo Carlos Henrique dos Santos, que trabalha diariamente na região central, a situação tem impacto direto no bolso e na rotina. “Às vezes a gente perde 10, 15 minutos procurando uma máquina que aceite cartão. Se deixo o carro e vou trabalhar sem pagar, corro o risco de levar multa. Se vou procurar outro parquímetro, perco tempo. Fica parecendo que a gente está sempre errado, quando, na verdade, as máquinas tinham que funcionar”, reclamou.
Já a professora Bianca Regina Souza, relatou que até usa o aplicativo, mas acredita que a cidade deveria oferecer condições melhores para todos. “Eu baixo o app e consigo pagar, mas nem sempre a internet funciona direito. E tem muita gente que não sabe ou não quer usar o celular para isso. Acho injusto obrigar as pessoas a se adaptarem a qualquer custo, sendo que a máquina deveria funcionar normalmente”, opinou.
O problema foi relatado por diversos leitores à Vanguarda Alto Tietê, que acionou a Estapar e a Prefeitura para pedir esclarecimentos sobre a manutenção dos equipamentos e as medidas que serão tomadas para evitar transtornos aos motoristas.
Em nota, a empresa responsável pela gestão do estacionamento rotativo da cidade esclareceu que “mantém uma Central de Atendimento ao Usuário dedicada ao monitoramento contínuo do funcionamento de todos os parquímetros da cidade e à realização de manutenções preventivas e corretivas, sempre que necessário”.
“Reforçamos que o telefone da Central de Atendimento está disponível em todos os terminais de autoatendimento, para que o usuário possa solicitar um agente ou informar qualquer problema. Adicionalmente, informamos que o pagamento do estacionamento rotativo pode ser efetuado de forma prática e segura através do aplicativo Zul+, disponível gratuitamente para download nas plataformas iOS e Android”.
Já a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito, que é responsável pela fiscalização dos serviços da empresa Estapar, afirmou que mantém contato permanente com a empresa e solicitará uma verificação nos aparelhos, para que eventuais problemas operacionais sejam solucionados o mais rápido possível.
“Existem três formas de pagamento da Zona Azul: pelo aplicativo, que pode ser baixado gratuitamente e tem fácil operação, pelos equipamentos instalados nas ruas da cidade e também com o apoio dos funcionários que trabalham nas ruas. Eles recebem os valores com máquinas de crédito, débito e também em dinheiro. A orientação para que as pessoas utilizem o aplicativo acontece porque o sistema permite mais controle e comodidade por parte dos cidadãos, que podem escolher tempo de parada, fazem o pagamento on-line e ganham tempo, pois não precisam se deslocar às máquinas instaladas nas ruas, nem fazer o pagamento com os funcionários da empresa”, diz a Administração.














