terça, 27 de janeiro de 2026 Anuncie
Vanguarda Alto Tietê
Pais de alunos especiais temem que seus filhos fiquem sem assistência nas escolas / Foto: Divulgação Seduc-SP

Pais e professores de Mogi das Cruzes e Suzano realizam passeata em defesa da educação inclusiva

Silvia Chimello

Um grupo de pais atípicos e professores de Mogi das Cruzes e Suzano realizará uma passeata nesta quarta-feira (22) para pedir a manutenção dos educadores que atendem alunos com deficiência na rede pública estadual da região. Eles afirmam que muitos profissionais estão sendo demitidos e temem que seus filhos fiquem sem assistência nas escolas.

A Secretaria de Educação do Estado nega as informações e declara que a meta é ampliar o atendimento aos alunos neste ano. No entanto, muitas mães contestam essa posição e relatam que diversas demissões já ocorreram.

A manifestação em Mogi das Cruzes está marcada para às 10 horas, com uma caminhada que sairá da Praça do Rosário em direção à sede da Diretoria de Ensino. Em Suzano, o grupo se reunirá no mesmo horário, no Parque Max Feffer, e também seguirá em passeata até a Diretoria de Ensino local.

Andrea Oliveira Rodrigues, mãe atípica de gêmeas de 12 anos com deficiência, matriculadas na Escola Aprígio de Oliveira, expressou grande preocupação com a situação. “Depois de muita luta, consegui uma liminar para garantir que minhas filhas pudessem estudar. Elas começaram a frequentar a escola no segundo semestre do ano passado, com a ajuda de professores auxiliares, e em outubro passaram a receber o suporte de um educador inclusivo. Estávamos muito felizes com o trabalho desse professor dedicado, mas ele foi demitido na semana passada. Apesar da liminar, o governo o desligou. Chorei muito. Foram muitas demissões, e precisamos nos unir para impedir que isso continue”, relatou Andrea.

Vídeos com depoimentos de mães estão circulando nas redes sociais e em grupos de WhatsApp. Elas afirmam que houve uma demissão em massa desses profissionais no último dia 17. As mães mencionam que, além das liminares, contam com o respaldo da Lei Federal nº 22.764, de autoria da deputada Berenice Viana, e pedem apoio do governador do Estado, Tarcísio de Freitas, para manter esses educadores nas escolas estaduais.

A Secretaria de Educação, no entanto, nega totalmente as alegações e informa que irá ampliar os investimentos e o número de atendimentos para estudantes elegíveis aos serviços de educação inclusiva.

“Não procede a informação de que profissionais de apoio serão desligados das escolas da rede estadual de São Paulo. Os professores auxiliares que não forem reconduzidos para a função de apoio poderão atribuir aulas conforme o cronograma e critérios estabelecidos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) para todo o corpo docente, nas Diretorias de Ensino ou como eventuais na rede. A meta da Seduc-SP é dobrar o número de atendimentos, passando dos atuais nove mil para 20 mil alunos, com um investimento de R$ 135 milhões”, declarou a pasta.

Em nota enviada à reportagem da Vanguarda, a Seduc informou que o atendimento dos Profissionais de Apoio Escolar para Atividades Escolares (PAE-AEs) será ajustado conforme o nível de suporte necessário para cada estudante, e que alunos com menor nível de suporte terão profissionais compartilhados, enquanto aqueles com maior necessidade continuarão com apoio exclusivo.

A Secretaria também destacou que, em dois anos, ampliou de 20 mil para 29 mil o número de profissionais dedicados ao atendimento de alunos com deficiência. Esclarece que neste ano letivo, mil novos professores já estarão nas salas de aula e que, ainda no primeiro trimestre, a rede contará com 500 estagiários para apoiar a educação dos alunos com deficiência, especialmente na adaptação de materiais e no suporte aos estudantes. No segundo semestre, mais três mil profissionais de apoio reforçarão o atendimento.

 

Leia a nota da Seduc na íntegra:

“Não procede a informação que profissionais de apoio serão desligados de escolas da rede estadual de São Paulo.  Os professores auxiliares não reconduzidos para a função de profissional de apoio poderão atribuir aulas, conforme cronograma e critérios estabelecidos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) para todo o corpo docente, na Diretoria de Ensino ou mesmo para atuarem como eventuais na rede.

A meta da Seduc-SP é dobrar o número de atendimento nas escolas para os estudantes elegíveis aos serviços de educação especial.  O número deve passar dos atuais nove mil para 20 mil alunos atendidos, com investimento de R$ 135 milhões.
O atendimento dos Profissionais de Apoio Escolar para Atividades Escolares (PAE-AEs) será ofertado de acordo com o nível de suporte de cada estudante, sendo que os estudantes com menor nível de suporte terão um profissional compartilhado e os com maior nível de suporte poderão seguir com apoio exclusivo. 
⁠⁠Em pouco mais de dois anos, a Seduc-SP ampliou o número de profissionais dedicados ao atendimento desses alunos. Passou de 20 mil para 29 mil. No início deste ano letivo, mil novos professores já estarão nas salas de aula. Ainda no primeiro trimestre a rede contará com a chegada de 500 estagiários dedicados à educação especial, principalmente no processo de adaptação de material e apoio aos estudantes. E, no segundo semestre, mais três mil profissionais de apoio reforçarão o atendimento”.

Publicado em: 21 de janeiro de 2025

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