
Por Maria Salas
A aldeia tupinambá M’boiji Rio das Cobras, localizada em Mogi das Cruzes, realizará entre os dias 29 e 31 de agosto o Nhemongarai, um dos rituais mais importantes da tradição tupinambá. O evento, aberto ao público e com entrada gratuita, promete uma imersão na ancestralidade indígena, reunindo rituais, saberes, artesanato, comidas típicas e momentos de espiritualidade. A programação acontece nos dias 29 e 30 de agosto, das 17h às 20h, e no dia 31 (domingo), das 9h às 14h, na Estrada Torao Ikuta, 429, no bairro Porteira Preta.
O cacique Xeramoi, Luis Anga Morerekoara, explica que, para os povos tupinambá, o Nhemongarai é um momento de profunda conexão espiritual. Durante três dias, a comunidade se dedica a rezos e cantos que simbolizam a renovação da vida e a união com a natureza.
No primeiro dia (29), ocorre a renovação do espírito, em que os participantes reafirmam a unidade com a terra. “Assim como no fim de agosto as árvores trocam suas folhas, nós também renovamos nosso espírito”, destaca o cacique.
O segundo dia (30) é marcado pelo batizado e pela renovação de nomes sagrados nas águas do Cedro. O ritual simboliza a transformação, como a cobra que troca a pele, deixando para trás o que não serve mais e acolhendo um novo ciclo.
No terceiro dia (31), a comunidade celebra o Ano Novo Tupinambá, com muita música, danças e alegria, em uma celebração semelhante à dos guarani.
Além dos rituais, o público terá contato com a riqueza da cultura tupinambá por meio da venda de artesanatos, comidas típicas e também do tradicional café de milho tupinambá. Durante o encontro, no primeiro dia, o cacique ressalta que os visitantes poderão acompanhar a abertura das kunhangue (mulheres de saber).
A presença dos indígenas M’Boiji na cidade remonta a 1611, conforme relatou o cacique Luis, mas a aldeia, no formato atual, foi estabelecida em 2017. E foi só em 2024 que eles foram reconhecidos oficialmente pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). “Então, hoje temos o reconhecimento da Funai e da Sesai, que cuida do saneamento básico e da saúde do originário”, comentou o cacique.
Atualmente, o Centro Cultural da aldeia M’boiji é formado por 15 famílias, reunindo 39 pessoas, mas o grupo é composto por um total de 46 famílias. Para a comunidade, abrir as portas da aldeia para a população é um gesto de partilha e respeito, além de mostrar e manter viva a cultura. “O Nhemongarai é muito importante para nós. É um momento de troca de saberes, de mostrar nossa espiritualidade e de reafirmar nossa identidade. Queremos que a sociedade compreenda a relevância dos povos originários na história e no presente do Brasil”, destaca a liderança da aldeia.
















