
Por Maria Salas
O Grupo Mulheres de Fibro com Fibra, de Mogi das Cruzes, que reúne pessoas com fibromialgia, realizará o “Manifesto do Bem”, neste sábado (15), das 9 às 12 horas, com concentração no Largo do Rosário, a Praça da Marisa, no Centro de Mogi, em alusão ao Fevereiro Roxo. A organização do evento prevê a participação de aproximadamente 80 pessoas, em uma iniciativa que visa conscientizar a sociedade e as autoridades sobre a doença crônica que causa dor generalizada e sensibilidade no corpo. O encontro terá a participação do primeiro vereador de Guarulhos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Jorginho Mota.
A ação quer sensibilizar os poderes Executivo e Legislativo para a necessidade de apoio na criação de políticas públicas voltadas ao cuidado das pessoas com fibromialgia. Entre as demandas estão a formalização do uso do cordão de girassol em estabelecimentos comerciais, para sinalizar espaços com prioridade no atendimento, e a agilização de consultas médicas via Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo um atendimento mais adequado e humanizado.
“Nós somos um grupo de acolhimento às pessoas portadoras de fibromialgia, que também buscamos ser vistos como prioritários nas consultas em postos de saúde, da Cidade, por exemplo, pois temos de aguardar igual uma pessoa comum para conseguir uma consulta médica, e, muitas vezes, estamos em crise. A maioria de nós fibromiálgicos temos de pagar os nossos tratamentos, uma vez que o tratamento pelo SUS demora anos, e, além disso, as receitas particulares não são aceitas no SUS”, ressalta a dona de casa Roberta Siqueira, de 41 anos, presidente do Mulheres de Fibro com Fibra e representante estadual do grupo Dor não é frescura. Ela conta que aguarda desde outubro de 2023 para uma consulta com o médico ortopedista, um dos especialistas do qual os fibromiálgicos precisam para fazer o tratamento multidisciplinar.
“Infelizmente, aqui ainda faltam profissionais da saúde, neste caso, reumatologistas. Eu também passo por atendimento com clínico geral no Posto de Saúde. O preço de uma consulta particular varia de R$ 100,00 a R$ 150,00, mas com o Cartão de Todos [atendimento em clínica popular] pagamos R$ 40,00”, diz Roberta que foi diagnosticada com fibromialgia em 2019, em um diagnóstico nada simples, conforma ela explica. “Na verdade, dei entrada em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) com suspeita de meningite, mas, depois de descartarem todas as outras doenças, veio o diagnóstico, que é clínico, e só pode ser dado por uma reumatologista. A demora no tratamento pode trazer complicações e desencadear outras doenças, como artrose, depressão e ansiedade e alteração na pressão”, revela.
O evento conta com o apoio do grupo Resiliência Azul e da Associação Amigos de Sabaúna.
Cordão de Girassol
O cordão de girassol é um símbolo internacional utilizado para identificar pessoas com deficiências ocultas, como a fibromialgia, que não são percebidas de imediato. Seu uso visa alertar para a necessidade de atenção especial e atendimento prioritário. No Brasil, a Lei nº 14.624, sancionada em 17 de julho de 2023, formaliza o uso nacional da fita com desenhos de girassóis como mecanismo de identificação dessas deficiências.
Dor não é Frescura e Mulheres de Fibro com Fibra
O grupo é formado por seis mulheres que atuam na linha de frente, além de Roberta Siqueira. A doutora Renata Cobra, presidente federal do Dor não é Frescura; Tatiane Andrade, é representante municipal do Dor não é Frescura e vice-presidente do Mulheres de Fibro com Fibra; Elaine Viana, a 1ª secretária; Maria da Perpétua, 2ª secretária; e Grazi Eroles, a porta-voz.
Os principais sintomas da fibromialgia são:
- Dor constante em todo o corpo;
- Sensibilidade muscular;
- Rigidez muscular;
- Fadiga;
- Sono não reparador;
- Alterações de memória e concentração;
- Depressão;
- Ansiedade;
- Formigamentos;
- Dores de cabeça.














