
Mogi das Cruzes se tornou, em 2025, o município paulista mais afetado por ocorrências envolvendo pipas em linhas de transmissão de energia. Segundo levantamento da ISA Energia Brasil, que faz a transmissão até a distribuidora EDP, até julho foram registradas 58 casos na cidade, número superior ao da capital paulista, que contabilizou 40 intercorrências no mesmo período.
Os dados preocupam porque o uso de linhas cortantes, como cerol e linha chilena, e rabiolas metálicas não apenas oferecem risco de acidentes fatais, mas também comprometem a rede elétrica, gerando prejuízos e podendo interromper o fornecimento de energia.
Em 2024, por exemplo, uma linha de transmissão de 440 kV em Mogi precisou passar por uma intervenção emergencial depois que um cabo para-raios foi danificado por linha chilena. O episódio acendeu o alerta para o impacto desse tipo de prática na segurança pública.
“Linhas cortantes colocam em risco a vida de quem solta pipas e de toda a população que depende dos serviços essenciais alimentados por energia elétrica”, destaca Elder Kobayashi, gerente de Operações da ISA Energia Brasil.
Ocorrências em alta
No ano passado, o Estado de São Paulo registrou 1.206 casos de interferências em linhas de transmissão causadas por pipas. A capital liderou com 445, seguida justamente por Mogi das Cruzes, com 169 ocorrências.
Neste ano, a inversão de posições mostra que o problema se intensificou na região do Alto Tietê, especialmente durante o período de férias escolares, quando a prática de empinar pipas aumenta.
Campanhas de conscientização
Diante desse cenário, a ISA Energia Brasil lançou a campanha “Pequenas Atitudes. Grandes Consequências”, que busca conscientizar sobre os riscos de soltar pipas próximo à rede elétrica. A iniciativa prevê, em 2025, cerca de R$ 30 milhões em investimentos em ações educativas e preventivas, incluindo atividades em escolas e diálogos com comunidades.
A empresa reforça recomendações básicas, como não utilizar linhas cortantes ou metálicas, não tentar retirar pipas presas em fios e nunca soltar pipas próximo à rede elétrica.
Casos suspeitos podem ser denunciados ao Disque Denúncia (199), e situações de incêndio devem ser imediatamente comunicadas ao Corpo de Bombeiros (193).














