
A Justiça de Arujá considerou procedente a ação penal que envolve o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, Gabriel dos Santos, acusado pelo Ministério Público de participar de um esquema de fraudes em licitações e corrupção. Segundo a denúncia, Gabriel teria usado sua posição à frente do Legislativo para favorecer contratos suspeitos de prestação de serviços, em conluio com empresários, entre eles Vagner Borges Dias, conhecido como o cantor de pagode Latrell Brito, além de outros réus ligados ao grupo investigado. O esquema incluía empresas de fachada e direcionamento de pregões presenciais.
As defesas tentaram anular o processo, alegando nulidades como investigação iniciada por denúncia anônima e suposta quebra da cadeia de custódia de provas digitais. O juiz, no entanto, rejeitou todos os argumentos, destacando que houve autorização judicial para as interceptações e que as provas apresentadas — incluindo documentos, mensagens de celular e depoimentos de testemunhas — comprovaram a materialidade e a autoria dos crimes. A sentença também reconheceu a atuação legítima do GAECO na apuração do caso.
A reportagem procurou ouvir o ex-vereador, mas não tivemos contato.
Quem é “Latrell Brito”
Um dos nomes centrais do esquema, Vagner Borges Dias, conhecido artisticamente como Latrell Brito, já havia sido condenado em julho de 2025 pela 2ª Vara Criminal de Mogi das Cruzes a 26 anos e 8 meses de prisão. O empresário e cantor foi considerado culpado por fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro em contratos públicos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações do Ministério Público de São Paulo revelaram que Vagner controlava uma rede de empresas — como o Grupo Safe, a Mova Empreendimentos e a Java Comercial Serviços — usadas para simular concorrência em pregões e direcionar contratos. Muitas delas estavam em nome de funcionários ou familiares, utilizados como “laranjas”.
Apesar de manter uma imagem pública como artista de pagode, com videoclipes e presença nas redes sociais, a fachada musical seria parte da estratégia para justificar ganhos incompatíveis com a renda declarada e ocultar bens. Em janeiro de 2025, Vagner foi preso na Bahia, após nove meses foragido, por uso de documento falso.
Ligação direta com a Região
A conexão de Vagner com Mogi das Cruzes é direta: além de ter endereço registrado na cidade, ele foi condenado pela Justiça local e teve imóveis confiscados por terem sido adquiridos com recursos ilícitos. O caso reforçou a presença do empresário na região do Alto Tietê, onde suas empresas também figuraram em processos de contratação pública.
De acordo com o Ministério Público, empresas ligadas a Vagner atuaram em diversas cidades paulistas — incluindo Guarulhos, Poá, Cubatão, Santos, Itatiba, Ferraz de Vasconcelos e Mogi das Cruzes —, sempre repetindo o mesmo padrão de simulação de concorrência e favorecimento ilícito.














