terça, 27 de janeiro de 2026 Anuncie
Vanguarda Alto Tietê
Foto: Divulgação Ciesp

Indústrias do Alto Tietê devem sofrer impactos com tarifa de Trump sobre exportações do Brasil

Silvia Chimello

 

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras deve causar enormes prejuízos ao setor produtivo de todo o Brasil. O Ciesp avalia que os danos causados “são severos e de difícil reparação, colocando em risco o desenvolvimento e o bem-estar de nossas populações”. Por isso, defende que “o diálogo diplomático deve ser baseado em fatos, não em versões distorcidas”.

Em nota enviada à Vanguarda, a direção do Ciesp regional repudiou a postura de ambos os líderes e alertou que os prejuízos à economia brasileira são “concretos e imediatos”, afetando indústria, comércio, agronegócio e trabalhadores.

A entidade argumenta que a justificativa apresentada pelos EUA — que alega desequilíbrio na balança comercial — não se sustenta: apenas na última década, o superávit norte-americano em relação ao Brasil atingiu US$ 91,6 bilhões em comércio de bens, e US$ 256,9 bilhões quando incluídos serviços.

A entidade ressalta aina que questões ideológicas e disputas pessoais entre governantes não devem comprometer o desenvolvimento econômico e a estabilidade das relações comerciais. “O diálogo diplomático deve ser respeitado, com base em fatos, não em narrativas falsas”, afirma a nota.

Embora o Ciesp atribua parte da responsabilidade ao presidente Lula, a medida foi anunciada oficialmente por Trump na quinta-feira (09), em carta direta ao mandatário brasileiro. No documento, o presidente norte-americano vincula a taxação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado. A menção explícita ao processo judicial brasileiro tem sido criticada por políticos e empresários, que veem na medida uma ingerência internacional e o uso de tarifas como instrumento de pressão política.

Impacto regional

De janeiro a maio deste ano, os Estados Unidos foram o principal destino das exportações do Alto Tietê, com vendas de US$ 93,5 milhões em produtos como papel, cartão, máquinas e aparelhos elétricos. Com a nova tarifa, há preocupação de que a competitividade da região seja prejudicada, ameaçando empregos e investimentos. China e Japão seguem como os maiores fornecedores da região, ao lado dos EUA, que exportaram para o Alto Tietê cerca de US$ 60,9 milhões no mesmo período.

 

Eis a nota do Ciesp na íntegra:

“Manifestamos nossa profunda preocupação diante do atual embate entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que ultrapassa os limites da diplomacia ao utilizar a questão tarifária como instrumento de disputa pessoal e ideológica.

Tal postura equivocada tem causado prejuízos concretos e imediatos às nossas relações comerciais, afetando diretamente as forças produtivas, os trabalhadores e toda a sociedade. Faltam argumentos concretos em favor dos EUA para uma tarifa de 50% nas importações do Brasil. Não procede a justificativa do presidente estadunidense sobre a balança de pagamentos entre os dois países lhes ser desfavorável, já que apenas na última década o superávit a favor deles foi de US$ 91,6 bilhões no comércio de bens. E se incluído o comércio de serviços, o superávit dos EUA chega aos US$ 256,9 bilhões.

A soberania do Brasil, assim como a de qualquer nação, deve ser respeitada. Questões pessoais e ideológicas de governantes não podem prevalecer em relações internacionais entre nações, pois os danos causados são severos e de difícil reparação, colocando em risco o desenvolvimento e o bem-estar de nossos povos. O diálogo diplomático deve ser respeitado; e com fatos não falsas versões deles.

Na área de abrangência do Ciesp Alto Tietê, de acordo com dados contabilizados pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), baseados em informações das regionais do Ciesp, nos primeiros cinco meses deste ano, as exportações se concentraram, especialmente em: Papel e cartão; Máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos; e Máquinas, aparelhos e materiais elétricos. No mesmo período, as principais compras regionais foram de: Máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos; Plásticos e suas obras; e Produtos químicos orgânicos.

Entre janeiro e maio, os principais destinos das mercadorias do Alto Tietê foram: Estados Unidos (US$ 93,5 milhões), Argentina (US$ 52,7 milhões) e Chile (US$ 24,7 milhões). Já a origem das compras regionais foram: China (US$ 106,9 milhões), Japão (US$ 94,1 milhões) e Estados Unidos (US$ 60,9 milhões)”.

Publicado em: 10 de julho de 2025

Anúncio - 636x167- UEDA - posição 1 Anuncio - 636x167- Empresa - posição 2

Videos

Capa do vídeo

É Vanguarda entrevista a vereadora Inês Paz (Psol)

Capa do vídeo

Entrevista com Romildo Campello (Especialista em meio ambiente)

Capa do vídeo

Entrevista com Paulino Namie, Professor da Associação Namie de Judô

Capa do vídeo

Entrevista com Dra. Rosana Pieruceti, advogada e presidente da ONG Recomeçar

Capa do vídeo

Entrevista com Francimário Farofa Presidente da Câmara de Mogi das Cruzes

Capa do vídeo

Entrevista com Alessandra Shimomoto líder do Renova BR e presidente do Movimento Vai Ter Mulher Sim

anuncio 636 x 167 posição 3 | i love mogi
anuncio 636 x 167 posição 4

Economia

Horóscopo