
Por Silvia Chimello
Os ferroviários de São Paulo aprovaram, em assembleia realizada na quinta-feira (20), a deflagração de uma greve a partir de 0h desta quarta-feira (26) em protesto contra a privatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O movimento, liderado pelo dos Ferroviáarios Central do Brasil, reivindica o cancelamento do leilão dessas linhas, previsto para ocorrer na próxima semana, com estimativa de concessão de R$ 14,3 bilhões em 25 anos.
A paralisação contará com uma manifestação na terça-feira (25), às 9h, em frente à Bolsa de Valores (B3) em São Paulo, local onde ocorrerá o leilão, nesta sexta-feira (28). A direção do sindicato dos ferroviários reforça que a greve será mantida até que o governo de São Paulo, liderado por Tarcísio de Freitas, forneça uma garantia por escrito de que o leilão será cancelado.
As linhas que estão no centro do impasse são responsáveis por conectar a região central da capital paulista à zona leste e a cidades como Mogi das Cruzes, Suzano e Guarulhos, que inclui o Expresso Aeroporto. Se a paralisação, de fato, for confirmada, ela irá prejudicar diretamente cerca de 550 mil pessoas que utilizam essas linhas diariamente. Além, claro, de impactar todo o sistema de transporte público da região metropolitana de São Paulo.
A Secretaria de Estado de Parcerias em Investimentos (SPI), alega que a concessão prevê a construção de oito novas estações, a reforma de outras 24, a eliminação de todas as passagens em nível e a redução do tempo de espera entre os trens.
Os sindicalistas dizem que a experiência com a concessão de outras linhas já privatizadas, como a 8-Diamante e a 9-Esmeralda, geram preocupação entre os ferroviários e a população devido a recorrentes falhas e acidentes sob a gestão da ViaMobilidade, empresa do setor privado que opera essas linhas.
Para Leandro Dameto, maquinista e membro do Comitê de Luta Contra a Privatização da CPTM, a greve é histórica e representa um marco de resistência da categoria. “Após muita pressão da base, através de mais de duzentas assinaturas apoiadas no estatuto, conseguimos conquistar uma assembleia histórica, onde foram aprovadas todas as pautas do comitê. Decidimos deflagrar a greve no dia 26, com aprovação de centenas de ferroviários, mais de 150 pessoas”, ressaltou o ferroviário.
Ele destaca ainda a importância da unidade dos trabalhadores na luta contra a privatização e em defesa dos empregos. “Essa greve tem um impacto gigantesco, com potencial de transbordar para além da ferrovia, aterrorizar Tarcísio e seus comparsas e barrar o leilão. Estamos na reta final e não vamos aceitar nenhuma demissão”, reforçou.
O deputado estadual Guilherme Cortez (PSol) informou que entrará na Justiça contra o projeto de concessão de trens do Governo do Estado.
Possíveis consequências
O movimento prevê a interrupção do serviço não apenas nas linhas ameaçadas pela privatização (11, 12 e 13), mas também nas linhas 7-Rubi e 10-Turquesa. Os ferroviários afirmam que não aceitarão demissões em decorrência da greve e, caso ocorram, a paralisação será mantida por tempo indeterminado.
A mobilização tem potencial para causar impactos significativos no transporte público da região metropolitana de São Paulo, afetando milhares de passageiros que dependem diariamente das linhas da CPTM.
A reportagem da Vanguarda fez a solicitação e aguarda um posicionamento do Governo do Estado a respeito da mobilização dos ferroviários. Assim que tivermos essa resposta, a matéria será atualizada.














