
Silvia Chimello
A tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros exportados para os EUA a partir de 1º de agosto, preocupa o setor comercial de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê. Duas das principais entidades representativas do comércio de Mogi das Cruzes, a Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) e o Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Mogi e Região, manifestaram preocupação com os reflexos dessa medida no setor produtivo, especialmente para a manutenção dos empregos.
Embora a medida afete diretamente as exportações, os representantes das entidades destacam que os impactos tendem a se espalhar por toda a cadeia econômica. Isso porque a elevação dos custos para exportar pode levar à redução da produção industrial, ao aumento dos preços no mercado interno e à diminuição do consumo — efeitos que, inevitavelmente, alcançam o varejo e o comércio local.
Para a presidente da ACMC, Fádua Sleiman, a taxação imposta pelos EUA representa mais um desafio para a economia nacional e regional. Segundo a dirigente, a dificuldade de escoar a produção para o mercado americano pode obrigar as empresas brasileiras a buscarem novos parceiros comerciais ou a absorver o excedente no mercado interno, o que exige tempo e planejamento. “Até que uma nova estratégia comercial seja definida, não sabemos qual será o impacto real sobre os empregos e como isso afetará diretamente o comércio local”, afirma Fádua.
A representante da entidade observa que os empresários já enfrentam uma série de entraves, como a queda nas vendas, o custo elevado da carga tributária, a escassez de mão de obra qualificada e as exigências legais que encarecem os produtos nacionais. Diante desse novo cenário, Fádua conta que já está em contato com a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e que o tema será debatido no próximo encontro da Região Administrativa 3 (RA3), no dia 16 de julho, com a participação dos presidentes das 11 associações comerciais do Alto Tietê.
Já o Sincomércio, que representa o comércio varejista em Mogi e região, avalia que a tarifa imposta pelos EUA pressiona não apenas os setores exportadores, mas também afeta, de forma indireta, as lojas e empresas que dependem de cadeias produtivas ligadas ao mercado externo. A entidade aponta que segmentos como alimentos processados, eletroeletrônicos, vestuário, produtos agrícolas com valor agregado e bens de consumo em geral podem ser impactados com o encarecimento de insumos e a queda no consumo.
“Há uma preocupação real com a manutenção dos postos de trabalho no comércio, especialmente se essa medida se prolongar e comprometer a sustentabilidade das pequenas e médias empresas, que são a base da economia regional”, destaca o presidente do Sincomércio, Valterli Martinez, em nota encaimhada à reportagem da Vanguarda.
O Sindicato também critica o caráter unilateral e protecionista da decisão do governo norte-americano, afirmando que ela gera instabilidade nas relações comerciais e dificulta o planejamento das empresas em um cenário de economia globalizada. Defende ainda o fortalecimento da diplomacia e o diálogo entre os países para a busca de soluções equilibradas e sustentáveis.
Ambas as entidades concordam que o momento exige responsabilidade, articulação institucional e foco na preservação da atividade econômica regional. A continuidade do comércio forte, com empresas abertas e trabalhadores empregados, é o principal objetivo dos setores representados.














