
Na área atendida pelo Escritório Regional do Sebrae-SP no Alto Tietê, os Microempreendedores Individuais (MEIs) com mais de 60 anos já somam 9,3 mil, representando 6,4% do total de 144,6 mil pessoas inscritas na categoria. Neste Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, o Sebrae-SP chama a atenção para a chamada economia prateada, que envolve o empreendedorismo sênior e os setores movimentados por esse público.
Segundo o levantamento “Empreendedorismo Sênior no Brasil”, feito pelo Sebrae, 36% dos donos de negócios com mais de 60 anos atuam no setor de serviços, 21% no comércio e 16% na agropecuária. A experiência acumulada ao longo da vida e da carreira pode ser um diferencial no momento de abrir um negócio.
O analista de negócios do Sebrae-SP, Álamo Santos, explica que empreender na maturidade geralmente acontece por dois motivos: oportunidade ou necessidade. “O empreendedor pode identificar um nicho ainda inexplorado no mercado ou, em muitos casos, é alguém que saiu do mercado de trabalho e precisa complementar a renda familiar”, diz.
Santos também destaca os valores agregados à atuação desse público. “O empreendedor maduro transfere sua experiência de vida para a empresa, o que se reflete nos produtos e serviços ofertados. Essa bagagem resulta, muitas vezes, em um atendimento mais qualificado e atento às necessidades dos clientes”, avalia.
Um exemplo é o empresário Takeshi Migita, da Kizuna Alimentos, que iniciou seu negócio aos 58 anos após décadas no setor automobilístico. “Já tive quitanda e restaurante, mas por questões econômicas voltei para o Japão. Quando retornei, em 2014, criei minha empresa de petiscos. Hoje meus produtos estão nas prateleiras de uma grande rede de supermercados”, relata. Segundo ele, o Sebrae-SP teve papel fundamental na formalização do negócio. “Eles auxiliam muito nas questões burocráticas e administrativas. Recomendo que quem deseja empreender acredite em sua ideia e siga em frente.”
O Sebrae-SP oferece programas voltados ao público 60+. Os atendimentos são feitos no Escritório Regional do Alto Tietê (Av. Francisco Ferreira Lopes, 345, Vila Lavínia, Mogi das Cruzes), de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, ou pelo telefone (11) 4723-4510.
Mercado em crescimento
Dados do IBGE indicam que até 2070, cerca de 37,8% da população brasileira será composta por pessoas idosas. A expectativa de vida também cresceu: passou de 71,1 anos em 2000 para 76,4 em 2023, e deve chegar a 83,9 até 2070.
Para o analista Álamo Santos, esse cenário amplia as possibilidades de negócios voltados ao público sênior. “Além do turismo, setores como saúde, bem-estar e imobiliário têm grande potencial. Esse público costuma ter renda fixa, reservas financeiras e interesse em serviços personalizados”, observa.
O empresário Pedro Braga, da Cecerfi — clínica de prevenção e reabilitação física — percebeu esse nicho em 2002, quando ainda era estudante de Educação Física na UMC. Com especializações em envelhecimento e reabilitação, fundou sua clínica em 2004, com foco em musculação para pessoas com mais de 60 anos e pacientes com condições crônicas.
Braga também contou com apoio do Sebrae-SP na elaboração do plano de negócios. “Na época, não existia nada específico para esse público. O Sebrae me ajudou a estruturar a ideia e traçar metas. Meu conselho é fazer um bom planejamento desde o início”, afirma.














