
Por Maria Salas
Autora de 14 livros e organizadora de mais de 30 obras, a escritora Adriana Rocha, conhecida no meio literário como Drika, é uma das vozes mais potentes da literatura contemporânea voltada à valorização feminina. Doutora Honoris Causa em Literatura pelo Centro Samaritano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, CEO da Editora Gira Livro e membro de academias literárias no Brasil, Portugal e Genebra, ela vai lançar oficialmente o livro Antologia Internacional Avança, Mulher – Edição Angola, no dia 11 de novembro, na Amazon.
A obra marca os 50 anos de Independência de Angola e reúne juízas, diplomatas, artistas, líderes comunitárias e até uma princesa em um grande manifesto literário e cultural.
Natural de Mogi das Cruzes, Drika fala sobre sua trajetória, o simbolismo do lançamento na data da independência e a força transformadora da escrita coletiva. “Trago em mim a força da minha terra e também o desejo de dialogar com o mundo.”.
Confira na entrevista:

Vanguarda Alto Tietê: Quantos livros já escreveu e organizou até hoje?
Adriana Rocha, Drika: Eu tenho muitos livros escritos, já publiquei 14 deles no Brasil e no exterior, organizei mais de 30 obras, entre livros autorais, solos e antologias. Cada um deles representa não apenas um trabalho editorial, mas um pedaço da minha trajetória e das vozes que escolhi amplificar.
Vanguarda: Como começou sua trajetória no universo da literatura e das antologias?
Drika: Começou pelo impulso de transformar a dor em arte. A escrita sempre foi meu melhor refúgio, depois virou caminho. As antologias vieram como consequência natural: percebi que, quando reunimos vozes, o eco é muito mais forte do que o grito individual.
Vanguarda: O que a inspira a reunir diferentes vozes femininas em uma única obra?
Drika: A convicção de que uma só história nunca é suficiente. As pessoas carregam universos inteiros, mas o mundo insiste em resumir nossas trajetórias em rótulos estreitos. Reunir diferentes vozes é quebrar barreiras, é mostrar que somos múltiplos, complexos e inapagáveis.
Vanguarda: Por que escolheu Angola como ponto de partida para a série internacional Avança, Mulher?
Drika: Angola carrega em si feridas e potências que dialogam com o Brasil. É berço de cultura, resistência e irmandade . Começar por Angola é um gesto de reconexão com nossas raízes, com a África que vive em nós. Lançar a obra justamente no Dia da Independência de Angola é um gesto simbólico de liberdade. A independência é a memória de luta e a afirmação de identidade. Lançar o livro nessa data significa reconhecer que a escrita também é ato de independência, da voz, da história e do lugar da mulher no mundo.

Vanguarda: O que torna o Avança, Mulher – Edição Angola diferente de outras antologias femininas já publicadas?
Drika: O que nos diferencia é o caráter internacional e interseccional. Não é uma antologia apenas de escritoras, mas de mulheres em diferentes posições sociais: juízas, diplomatas, artistas, pesquisadoras. Isso dá corpo e verdade ao movimento, porque mostra que a força feminina está conquistando todos os espaços.
Vanguada: Como foi a seleção das participantes: juízas, diplomatas, artistas, líderes comunitárias, pesquisadoras e até uma princesa e que poema a inspirou?
Drika: A escolha foi feita para refletir a diversidade real do feminino. Buscamos mulheres que representam vozes múltiplas: da academia ao território, da realeza à comunidade, da arte à diplomacia. Essa pluralidade é o coração da obra. O poema “Avança, Mulher”, de Zé D’Ana, é a inspiração da obra. Ele é como um chamado, ele convoca as mulheres a se mostrarem e avançarem. Os relatos da obra respondem a esse chamado com experiências vividas, provando que a poesia de Zé D’Ana já está acontecendo na prática.
Vanguarda: O lema do projeto é “Angola é palco, nós somos a voz”. O que isso significa na prática?
Drika: Significa que não estamos apenas lançando um livro: estamos ocupando um espaço simbólico. Angola é o palco, porque nos conecta de muitas maneiras a lusofonia é só uma delas. Nós somos a voz, porque não vamos permitir que a história da mulher seja contada apenas por terceiros.
Vanguarda: O livro inaugura uma série de antologias internacionais. Quais países já estão nos planos das próximas edições?
Drika: Já temos olhares voltados para Espanha, EUA, Portugal e Brasil. O objetivo é criar uma rede de mulheres pelo mundo, todas conectadas pelo fio da literatura. É um projeto que vem como fonte de inspiração, em tempos de péssimas influências. O livro vem mostrar histórias de mulheres reais que superaram barreiras inimagináveis e venceram. O impacto vem de duas formas: para quem escreve, é a validação de sua trajetória; para quem lê, é o reconhecimento de que não está sozinha e que não há nada que possa te impedir de avançar. A literatura vira ferramenta de cura, espelho e também megafone. Eu desejo que cada página desse livro inspire as mulheres a escreverem suas próprias histórias. Que avancem sem medo, sem pedir licença, sem se diminuírem. Porque quando uma mulher avança, nenhuma fica para trás.
















