
Por Maria Salas
Entre rosas colombianas vermelhas, cristais Swarovski e folhas de camélia, um símbolo de fé e tradição ganhou vida mais uma vez em Mogi das Cruzes, na tarde deste domingo (8), na Procissão de Pentecostes, o que marcou o encerramento da Festa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes. O Andor do Divino, que brilha nas ruas durante o cortejo, não só carrega a imagem sagrada que inspira a Festa do Divino, mas também quatro décadas de dedicação artística e amor à espiritualidade.
Aos 89 anos, que serão completados no dia 28 de julho, o decorador Sérgio Rodrigues Vicco, o seu Serginho, é o nome por trás dessa criação que há 40 anos encanta os olhos e toca os corações dos devotos, que aguardam ansiosos por este momento. De forma voluntária, ele desenha e confecciona com maestria o andor que conduz o Espírito Santo pelas ruas da cidade. Mais que um trabalho artístico, é um ato de fé e devoção pessoal. E a cada festa é uma inspiração diferente e graciosa.
Neste ano, o Andor foi montado com esmero na residência da família Guimarães Lafuente, que gentilmente cedeu o espaço anexo ao restaurante Feijão & Cia, no Centro da Cidada. Além do espaço, as anfitriãs participaram ativamente da montagem, abrindo flores e auxiliando na aplicação das pedrarias.
A estrutura do andor impressiona por sua riqueza de detalhes. Confeccionado em veludo vermelho, com acabamento em alta costura, franja dourada e galão, é adornado com rosas colombianas, aspargo, avenca e galhos de camélia, compondo uma estética viva e elegante. As luzes de LED emolduram a imagem do Divino, que reluz sob pingentes de cristal e brilho de pedrarias finas — um verdadeiro altar em movimento.
Ao lado de Sérgio Vicco, estiveram na confecção os dedicados Johnny Alves Rodrigues, Ivani Martins, Maria Martins, Salete Margarido, Salete Teixeira, Ana, Januário dos Santos e João Pinto. Uma equipe pequena, mas unida por laços de fé e tradição, que compartilha do mesmo cuidado em manter viva a herança cultural e religiosa da cidade.
O Andor do Divino é uma obra de arte efêmera que renasce a cada ano das mãos desse artista devoto. É um gesto de fé costurado com linhas de história, memória e amor — e, sobretudo, um tributo silencioso e luminoso ao Espírito Santo que, segundo a igreja católica, desce em forma de luz sobre o povo em Pentecostes.























