
Por Maria Salas
O consumo de bebidas energéticas, cada vez mais comum entre jovens e adultos, acende um sinal de alerta para a saúde cardiovascular. Apesar da popularidade entre estudantes, atletas e frequentadores de festas, essas bebidas podem representar uma verdadeira ameaça ao coração. De acordo com a cardiologista Andrea Lopes Lipolis, do Hospital do Coração e especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), os riscos vão desde aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca até arritmias graves e, em casos extremos, morte súbita.
As fórmulas dos energéticos combinam cafeína em doses elevadas com outros estimulantes, como taurina e guaraná, o que potencializa seus efeitos sobre o organismo. No curto prazo, o consumo pode causar ansiedade, insônia, tremores, dores de cabeça, distúrbios gastrointestinais e até infartos. No longo prazo, preocupa-se com o risco de agravamento de doenças cardíacas, distúrbios metabólicos e dependência.
Embora uma ingestão única de até 200 mg de cafeína (cerca de uma lata grande) possa não causar problemas em adultos saudáveis, a tolerância varia muito. “Volumes maiores, como o consumo de 1 litro ou mais ao longo do dia, elevam significativamente o risco de arritmias e outros efeitos adversos”, destaca a especialista. A situação se agrava pelo fato de que o Brasil ainda não possui uma regulamentação rigorosa sobre o teor de cafeína nas bebidas.
Grupos de risco
Pessoas com hipertensão, doenças cardíacas, transtornos de ansiedade ou diabetes estão especialmente vulneráveis. “Em cardíacos, o energético pode precipitar arritmias fatais. Em diabéticos, o excesso de açúcar presente em muitas dessas bebidas pode descompensar o controle glicêmico”, alerta Andrea.
A situação é ainda mais preocupante quando os energéticos são misturados com álcool ou usados como pré-treino. A mistura com álcool, por exemplo, mascara os efeitos da embriaguez, aumentando o risco de consumo exagerado, acidentes e comportamentos perigosos. Já no contexto dos treinos, o efeito estimulante somado ao esforço físico eleva ainda mais a pressão arterial, podendo causar eventos graves como infarto e arritmias.
Casos relacionados a energéticos estão se tornando cada vez mais frequentes nos serviços de emergência. Palpitações, crises hipertensivas, arritmias, síncopes e até infartos são registrados, especialmente entre jovens que associam o consumo a festas ou atividades físicas intensas.
Segundo a cardiologista, bebidas energéticas não devem ser consumidas por menores de 18 anos. “Adolescentes são mais vulneráveis aos efeitos adversos e não há qualquer indicação para uso nessa faixa etária. Os pais devem orientar, impor limites e promover um estilo de vida mais saudável com sono regular, alimentação balanceada e prática esportiva”, afirma.
Para quem busca foco e energia no dia a dia, a receita mais eficaz continua sendo simples: boa alimentação, hidratação, sono adequado e atividade física regular. O café puro, em quantidades moderadas, pode ser uma alternativa mais segura.
O corpo costuma dar sinais de que algo não vai bem. Dor no peito, palpitações, falta de ar, tonturas, sudorese fria e desmaios após o consumo de energético exigem atenção imediata. “São indícios de que o coração pode estar em sobrecarga. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico sem demora”, reforça a cardiologista Andrea Lopes Lipolis.

Andrea Lopes Lipolis é cardiologista














