
Por Sabrina Pacca
Quem passa pela Rua Braz Cubas, em Mogi das Cruzes, esquina com a Rua Professor Flaviano de Melo, certamente olha para cima e fica admirado com o casarão antigo que existe no local, de arquitetura impar. Entretanto, há alguns meses, ele foi fechado com alvenaria na porta principal por causa das invasões, está pichado e muito deteriorado. Mas a boa notícia para os mogianos e para o patrimônio histórico é que o imóvel foi comprado e já está passando por reformas.
Quem adquiriu o casarão foi o empresário e engenheiro Danilo Godoi Leandro França, de 41 anos, que promete devolver a beleza do espaço para Mogi das Cruzes, valorizando a área central. Ele falou com a reportagem da Vanguarda e explicou quais são seus planos.
Primeiro, Danilo procurou o Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico (Comphap) da Cidade para obter orientações e apresentou um projeto de restauro completo, que deve manter as características originais do imóvel, construído no final da década de 40 e início dos anos 50. Mas, antes, no entanto, o telhado está sendo reformado por uma questão de segurança mesmo.
´Eu havia comprado o estacionamento ao lado e estava tendo muitos problemas com invasão do casarão, sujeira e insegurança. O imóvel estava indo à leilão. Então, por meio do neto do antigo proprietário, que era um dos herdeiros, conversamos e consegui acabar com os problemas burocráticos e adquirir a casa. Procurei o Comphap para saber a história do imóvel, mas ainda há poucas informações. No entanto, idealizamos um projeto de restauro que será feito ainda neste ano, mas antes eu precisava consertar o telhado por uma questão de segurança mesmo. Estava caindo. As vigas estavam destruídas pelos cupins, as telhas ressecadas pelo tempo e o estuque praticamente desabando. Então, estamos nessa fase de reconstrução de todo o teto e telhado`, explicou o empresário.
Ele disse, ainda, que o projeto de restauro completo seguirá o mesmo rito de um imóvel tombado e que o Comphap está ajudando neste processo, com levantamento de informações.
Assim que estiver pronto, Danilo quer proporcionar aos mogianos a oportunidade de visitação do casarão e torce pela preservação de sua memória histórica e cultural. Há um tempo, uma página de internet levantou a suspeita de que iria ser feito um salão de festas no local, mas o empresário nega. O impacto para o imóvel seria ruim. A proposta verdadeira é fazer um espaço cultural, com pequenos eventos corporativos e também coworking (termo em inglês usado para locais de trabalho compartilhados). Além disso, uma cafeteria poderá ser inserida na ideia.
´O que eu quero é que as pessoas entrem, conheçam, contemplem a arquitetura lindíssima desse prédio, tomem um bom café ou até mesmo trabalhem aqui no sistema coworking. Claro que poderemos ter alguns eventos corporativos e até mesmo culturais, mas tudo respeitando o prédio, o imóvel`, destacou o proprietário, com visível paixão pelo imóvel e esperança de que o casarão voltará a ter vida.
A Vanguarda procurou algumas informações sobre a casa, por meio do próprio Comphap. ´O que sabemos é que o imóvel pertenceu à Família Straube, sendo antiga residência do prefeito Frederico Straube`, informou o Conselho. Disse, ainda, que, com base nos registros disponíveis, conseguiram apurar que o imóvel caracteriza-se como uma residência de interesse de preservação para o Município, conforme o Decreto Municipal 13.026/2012, estando inserido no Centro Histórico e Tradicional de Mogi das Cruzes.
Trata-se de uma construção de alto padrão, erguida entre as décadas de 1940 e 1950, sendo um dos poucos exemplares remanescentes desse período na Cidade. O casarão é projetado no estilo eclético, que combina elementos arquitetônicos de diferentes épocas, característica marcante das primeiras décadas do século XX. Apresenta detalhes decorativos próprios do estilo, tanto na fachada quanto nos interiores.
Além disso, o Comphap realizou uma breve pesquisa histórica e obteve os seguintes antecedentes sobre o imóvel e a Família Straube: Frederico Straube, filho de imigrantes, nasceu em Cerro Azul, no Paraná, e mudou-se para São Paulo em busca de oportunidades. Posteriormente, estabeleceu-se em Mogi das Cruzes, onde construiu uma vida social ativa e consolidou sua influência na sociedade local (Toledo, 2004).
O casarão foi idealizado por Frederico Straube e projetado pelo arquiteto Jurandir de Oliveira, com início das obras na década de 1940. A residência, com numerosos cômodos e rica decoração artística, era palco de eventos e recepções promovidas por Frederico e sua esposa, Ida Philomena Parodi Straube (Toledo, 2004).
Após o falecimento de Frederico em 1965, a casa passou para sua esposa Ida Philomena. Após o falecimento dela em 1977, o imóvel foi herdado por seus descendentes. Entre 1977 e 1989, não há registros claros sobre a utilização do imóvel. No entanto, em 1989, a casa foi alugada para a empresa Sudameris Companhia de Crédito Financiamento e Investimento. Desde então, o imóvel abrigou instituições bancárias, incluindo o Banco Sudameris Brasil e, posteriormente, o Banco Santander e Bradesco.
Referências bibliográficas:
TOLEDO, Regis de. Os Grandes Personagens da História de Mogi das Cruzes, volumes I e III, 2004.














