
Por Silvia Chimello
A eleição que definirá a nova presidência do Diretório Municipal do PT de Mogi das Cruzes será realizada no dia 6 de julho, na Câmara Municipal. A disputa está polarizada entre duas chapas: uma encabeçada por Jackson Ribeiro, com o apoio do ex-vereador Rodrigo Valverde; e outra liderada por Roberto Faria, que conta com o respaldo do vereador Iduigues Martins.
Alvo de críticas por ocupar um cargo técnico na presidência da Câmara, atualmente sob comando do vereador Francimário Vieira de Macedo – Farofa- do PL, Roberto teve sua candidatura questionada pelo grupo adversário, mas diz que impugnação foi negada. Nesta entrevista, ele fala sobre sua trajetória, rebate as acusações, defende uma nova forma de conduzir o partido e aponta caminhos para que o PT retome seu protagonismo político em Mogi das Cruzes.
Dando continuidade à cobertura das eleições internas do partido, a Vanguarda apresenta nesta reportagem o perfil e as propostas do candidato de oposição, Roberto Faria. O espaço foi aberto para que os dois candidatos compartilhem suas trajetórias, visões e planos para o futuro da legenda na cidade.
Confira a entrevista com o representante da chapa “Mudar pra Valer”.
Há quanto tempo você é filiado ao PT?
Sou filiado desde 5 de abril de 2003, de forma ininterrupta. Sou assistente social de formação e atuei em várias secretarias no governo Marcelo Candido. Já ocupei cargos na Executiva Municipal como Secretário de Formação e de Movimentos Populares. Em 2011 e 2012, como Secretário de Formação, organizamos um ciclo de debates que envolveu a militância por meses — uma ação inédita na história do partido em Mogi.
Por que você decidiu se candidatar à presidência do diretório municipal?
Porque acredito que o PT de Mogi precisa de renovação profunda. Nos últimos 12 anos, o partido foi conduzido por um mesmo grupo, sem diálogo com a base, funcionando apenas em épocas eleitorais. Nossa chapa propõe um novo ciclo, com mais democracia interna, escuta ativa e protagonismo popular.
Qual o papel do presidente do partido?
Mais do que liderar campanhas, o presidente deve articular politicamente, garantir decisões coletivas, fortalecer os núcleos e manter conexão com os movimentos sociais. O PT precisa estar presente nos bairros, nos sindicatos e nos debates da cidade.
Se eleito, o que pretende fazer de diferente?
Quero devolver o partido à militância. Vamos reativar núcleos, promover formação política contínua, fortalecer as secretarias e criar uma comunicação moderna com a sociedade. O objetivo é reconstruir o PT com planejamento, transparência e participação popular.
Por que os filiados devem votar em você?
Porque representamos a mudança real. Não somos continuidade de um grupo que está no poder há mais de uma década. Vamos atualizar e ampliar o número de filiados, especialmente entre os jovens, mulheres, população negra, LGBTQIA+ e trabalhadores.
O partido vai lançar candidaturas próprias em 2026?
Sim. Defendemos que o PT volte a disputar com protagonismo os cargos de deputado estadual e federal. Mas essas candidaturas devem nascer do diálogo com a base, com representatividade e compromisso com o projeto coletivo.
Como o partido pode contribuir com a cidade mesmo fora da prefeitura?
Podemos muito. O PT tem histórico de apresentar projetos, denunciar retrocessos e lutar por políticas públicas justas. Vamos manter o diálogo com lideranças comunitárias, sindicais e culturais, ampliando essa interlocução com a cidade.
Há exemplos recentes de conquistas do partido para Mogi?
Sim. O vereador Iduigues articulou um convênio com o Hospital SEPACO para garantir atendimentos via SUS, com apoio do então deputado Alexandre Padilha. Mostra que, mesmo fora do poder municipal, o PT pode beneficiar a população.
Como responde às críticas que tentam associar seu nome ao PL?
É uma acusação infundada e oportunista. Ocupo um cargo técnico na presidência da Câmara, que não está vinculado a nenhum mandato ou partido. A Comissão Eleitoral Estadual do PT reconheceu a legitimidade da nossa candidatura por unanimidade. Curiosamente, o mesmo grupo que me acusa já teve familiares nomeados em cargos comissionados na mesma Câmara.
Como tem feito campanha? A receptividade tem sido boa?
Estamos com pé no barro, fazendo campanha nas ruas e dialogando com a militância. Não barganhamos com filiados, oferecemos propostas concretas. A receptividade tem sido excelente. A base quer mudança e se reconhece no nosso projeto.
Qual o peso do apoio do vereador Iduigues Martins à sua candidatura?
Muito importante. Iduigues tem uma trajetória respeitada no partido e seu apoio mostra que estamos no caminho certo. Mas a nossa chapa é coletiva, com nomes comprometidos com a reconstrução do PT.
Quem são os integrantes da sua chapa e quais apoios vocês têm nas esferas estadual e nacional?
Nossa chapa “Mudar pra Valer” tem nomes como Iduigues Martins, Wilson Guimarães Junior, Robson Shimizu, Vanderlei Giuliani e Lilian Franco de Assis. No estado, apoiamos Kiko Celeguim e a chapa 480 – CNB. Nacionalmente, estamos com Edinho Silva e a chapa 280 – Derrotar a Extrema Direita. Somos 100% CNB, ao contrário da chapa adversária, que reúne diferentes correntes.














