
Por Gustavo Don, ativista LGBT+ do Fórum Mogiano LGBT+ e família Stronger
Na manhã desta terça-feira, estive no Gabinete da Prefeitura de Mogi das Cruzes, no primeiro horário, para tratar de políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+ da cidade. Fui recebido com respeito e abertura pela chefe de gabinete da Prefeita Mara Bertaiolli, Sra. Neusa Marialva; pela Secretária da Mulher, Lívia Bolina; por Jamile Santana, da Secretaria de Governo e Transparência; e por Viviane Strelec, da Comunicação.
Durante a reunião, manifestei minha preocupação com os dados de homofobia e transfobia que obtive através da Delegacia da Diversidade Online, e destaquei a ausência de políticas públicas específicas e estruturadas para atender à população LGBTQIA+ do município.
Conversamos sobre a atual situação da Coordenadoria da Cidadania e Inclusão, que se encontra inativa. A Sra. Neusa Marialva informou que, apesar disso, a Coordenadoria segue sob sua responsabilidade direta, e que há estudos em andamento para sua reorganização, possivelmente com vinculação à Secretaria de Assistência Social ou à Secretaria da Mulher.
A Secretária Lívia Bolina comentou que a pasta da Mulher tem buscado acolher também as demandas da população LGBTQIA+, especialmente de mulheres lésbicas, bissexuais e trans, e demonstrou interesse em realizar palestras e formações para servidores públicos sobre a temática.
Reforcei a necessidade urgente de se criar uma Coordenadoria LGBTQIA+ específica, assim como a instituição de um Conselho Municipal LGBT e a construção de um Plano Municipal de Políticas Públicas LGBTQIA+. Relembrei que a Coordenadoria foi criada na gestão anterior após um episódio grave de transfobia, e que o ideal é que esse espaço seja fortalecido e institucionalizado, não descontinuado.
Jamile Santana apresentou o Painel de Dados sobre Gênero, e indicou a possibilidade de levantar dados específicos da população LGBTQIA+, além da viabilidade de se realizar uma pesquisa de campo durante a Parada do Orgulho LGBT+ de Mogi das Cruzes.
Também falamos sobre a organização da Parada e houve demonstração de interesse da gestão municipal em apoiar a iniciativa. Ressaltei a importância de que, numa próxima reunião, haja ampliação da participação com mais representantes do movimento social LGBTQIA+.
A Sra. Neusa mencionou a possibilidade de um encontro com a Prefeita Mara Bertaiolli, o que considerei um passo significativo para o fortalecimento desse diálogo.
Abordei ainda a necessidade de atualizar o folder do Fórum Mogiano LGBT+, produzido em parceria com a UAPS, e sugeri que seja construída uma cartilha educativa com conteúdo ampliado voltado à população e aos servidores públicos.
A representante da Comunicação, Viviane Strelec, solicitou o relatório da Conferência Municipal LGBT, o qual me comprometi a enviar, e pedi que o documento seja publicado oficialmente nos canais da Prefeitura. Também solicitei à Neusa que o município ofereça transporte de ida e volta às delegadas e delegados que participarão da etapa estadual da conferência.
A reunião precisou ser interrompida devido a compromissos da agenda oficial, e ficou evidente que ainda havia muito a ser discutido. A Sra. Neusa informou que haverá uma reunião interna entre as secretarias envolvidas, e que será agendada uma nova reunião para dar continuidade à construção conjunta das propostas.
Ao final, me coloquei à disposição para colaborar com o município, contribuindo com sugestões, articulação com o movimento social e apoio técnico sempre que necessário.
Saí da reunião com a sensação de que há abertura para o diálogo e vontade política de avançar, mas sigo atento e comprometido, pois o que esperamos é que essas conversas se transformem em políticas públicas concretas, estruturantes e duradouras, capazes de combater a violência, garantir direitos e promover a cidadania da população LGBTQIA+ de Mogi das Cruzes.














