
Faleceu nesta quinta-feira (23), em Paris, o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, aos 81 anos. A informação foi confirmada pelo Instituto Terra, organização não governamental fundada por ele e sua esposa, Lélia Deluiz Wanick Salgado.
“Sebastião foi muito mais do que um dos maiores fotógrafos de nosso tempo. Ao lado de sua companheira de vida, semeou esperança onde havia devastação e fez florescer a ideia de que a restauração ambiental é também um gesto profundo de amor pela humanidade. Sua lente revelou o mundo e suas contradições; sua vida, o poder da ação transformadora”, afirmou o Instituto em nota nas redes sociais.
Salgado nasceu em Aimorés, Minas Gerais, em 9 de fevereiro de 1944, e se formou em economia antes de se dedicar integralmente à fotografia. Ao longo de sua carreira, viajou por mais de 120 países documentando, com sensibilidade e profundidade, temas como trabalho, migração, desigualdade, conflitos e a relação entre o homem e a natureza.
Entre suas principais obras está “Trabalhadores” (1993), uma poderosa série de imagens em preto e branco que retrata a força e a dignidade de operários e lavradores ao redor do mundo. Já em “Êxodos” (2000), Salgado mostrou o drama dos refugiados, dos migrantes e dos povos deslocados por guerras, fome e perseguições, revelando rostos e histórias muitas vezes esquecidas.
Com “Gênesis” (2013), seu olhar voltou-se para a natureza e os povos tradicionais, resultando em um ensaio visual que é quase um manifesto pela preservação do planeta. A obra foi o desdobramento natural de sua atuação ambiental, que se concretizou com a criação do Instituto Terra, em 1998, voltado à restauração florestal da Mata Atlântica no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.
Nos últimos anos, Salgado também lançou o projeto “Amazônia” (2021), no qual registrou a floresta, os rios e os povos indígenas do Brasil com a urgência de quem enxerga na fotografia um instrumento de conscientização e defesa do que ainda resiste à devastação.
Sebatião Sebastião Salgado deixa um legado que transcende a fotografia. Deixa imagens que falam por si e inspiram a reflexão, a compaixão e a ação. Seu trabalho continuará a ecoar, como arte e como denúncia, por gerações.














