
Morreu nesta terça-feira (13), aos 89 anos, no Uruguai, o ex-presidente José Alberto “Pepe” Mujica Cordano. Ex-guerrilheiro, líder da Frente Ampla e símbolo da esquerda latino-americana, Mujica enfrentava um câncer no esôfago e estava em estágio terminal, segundo informou sua esposa, a também ex-senadora Lucia Topolansky.
O atual presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, aliado político e amigo pessoal de Mujica, foi quem confirmou a morte. “Vamos sentir muito sua falta, velho querido! Obrigado por tudo que nos deste e por teu profundo amor pelo seu povo”, declarou Orsi em rede social.
Pepe Mujica foi presidente do Uruguai entre 2010 e 2015 e ganhou destaque internacional pelo estilo de vida austero e pela postura política marcada pela simplicidade e coerência. Morava numa chácara nos arredores de Montevidéu, dirigia um Fusca e doava grande parte do seu salário para projetos sociais. Sua trajetória política foi marcada pela luta armada contra a ditadura militar, que lhe custou quase 14 anos de prisão, e por sua contribuição para o avanço de políticas progressistas no país.
Durante sua presidência, o Uruguai legalizou o aborto, aprovou o casamento igualitário e regulamentou a maconha — medidas que o colocaram na vanguarda política da região. Especialistas apontam que, em seu governo, a pobreza caiu drasticamente e houve forte investimento em educação, habitação e distribuição de renda.
Mesmo após deixar a Presidência, Mujica continuou como voz influente da política continental. Em dezembro de 2024, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva condecorou Mujica com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, em reconhecimento à sua contribuição para a democracia e à integração latino-americana.
“Ou nos integramos, ou não somos nada”, dizia Mujica, defensor incansável da união dos povos latino-americanos. Seu legado vai além das fronteiras do Uruguai: é símbolo da ética na política, da resistência e da solidariedade.
Fonte: Agência Brasil














