
Silvia Chimello
A Prefeitura de Mogi das Cruzes anunciou nesta terça-feira (15), durante um evento de prestação de contas no Theatro Vasques, uma economia superior a R$ 48,9 milhões nos primeiros 100 dias da nova gestão. Os números foram apresentados pela prefeita Mara Bertaiolli (PL) e pelo vice-prefeito Téo Cusatis (PSD), que destacaram a revisão de contratos, redução de gastos com recursos humanos e uma série de medidas de contenção como responsáveis pelo resultado.
De acordo com a prefeita, essa contenção de despesas foi essencial para manter a máquina pública operando, regularizar pendências e retomar obras que estavam paradas. “Foi um período de muito trabalho, transparência, dedicação e compromisso com a Cidade”, afirmou.
Boa parte dessa economia — R$ 35 milhões — foi obtida a partir da renegociação com empresas terceirizadas, sem mudar os serviços prestados, sendo ajustados apenas os custos. A iniciativa partiu da Comissão de Gestão de Crise Financeira, coordenada pelo vice-prefeito, que focou em contratos com valores superiores a R$ 1 milhão por ano. No total foram revisados 103 contratos.
Além disso, a Prefeitura economizou R$ 13 milhões com a reestruturação de recursos humanos. Segundo Téo Cusatis, apenas metade dos cargos comissionados disponíveis foi ocupada. “É uma economia de aproximadamente R$ 1 milhão por mês. Não é porque queremos. É porque precisamos manter os salários dos servidores e os serviços essenciais funcionando diante da grave situação financeira encontrada”, explicou.
Outra medida adotada pela atual gestão para reduzir custos, segundo Téo, foi a criação do Diário Oficial Eletrônico, projeto aprovado pela Câmara Municipal, que representará um corte de R$ 1,5 milhão por ano nos gastos com editais e materiais que a administração precisa publicar. No campo previdenciário, a gestão também firmou um parcelamento da dívida de R$ 64,4 milhões com o Instituto de Previdência Municipal (Iprem), dívida deixada pela administração anterior.
Téo e Mara evitaram críticas diretas ao ex-prefeito Caio Cunha (Podemos), mas apontaram falhas em licitações realizadas nos anos anteriores — como a dos uniformes escolares, transporte escolar rural e merenda escolar — que precisaram ser refeitas. No setor de Segurança Pública, eles disseram que além de rever os valores dos contratos dos totens espalhados em diversos pontos da Cidade, a empresa concessionárias dos serviços concordou em ampliar o números de equipamentos, que futuramente devem contar com sistema de reconhecimento facial nos equipamentos
Questionados pela reportagem da Vanguarda sobre o destino dos recursos economizados, os gestores afirmaram que o foco será o equilíbrio das contas. Segundo Téo, há carência de verba em praticamente todas as secretarias. Ele citou como exemplo a causa animal, que teve orçamento reduzido para 2025, e a Saúde, que ficou um déficit de cerca de R$ 60 milhões para cobrir os serviços até o fim do ano, além de problemas com falta de recursos p0ara subsidiar as tarifas cobradas pelas empresas de transportes público.
“Se não fosse esse esforço para cortar gastos e revisar contratos, não conseguiríamos manter os serviços nem dar continuidade às obras previstas, pois estamos trabalhando com o orçamento deixado pela gestão anterior, que apresenta falhas graves em vários setores”, pontuou o vice-prefeito.
A prefeita garantiu que a comissão de revisão continuará atuando com foco na transparência e no bom uso dos recursos públicos. “Nosso compromisso é garantir que cada centavo gasto resulte em benefício direto para a população”, ressaltou.
Ela acrescentou ainda que esse é só o começo e que ainda há muito a aprender, “mas o fundamental, é que a gente veio para trabalhar e para colocar Mogi das Cruzes no lugar de destaque que a Cidade merece”.
A fala da prefeita também deu margem a uma sinalização política: ao mencionar que quer continuar melhorando a cidade “pelos próximos 100 dias, próximo ano, dois, quatro e oito anos”, Mara deixou no ar sua intenção de disputar um segundo mandato.














