
Silvia Chimello
A sessão da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes desta quarta-feira (19) foi marcada por um intenso debate sobre a ocupação na Avenida Governador Adhemar de Barros, na Vila São Francisco, em Braz Cubas. A área, invadida há cerca de quatro anos, tem sido alvo de reclamações devido as queimadas frequentes de lixo, o que configuraria crime ambiental.
O estopim da discussão, no entanto, foi o pedido do vereador Felipe Lintz (PL) para que a Prefeitura “dissipasse” a ocupação, alegando que a fumaça, as cinzas e o odor prejudicam a saúde que quem reside no entorno, especialmente crianças e idosos. O termo utilizado gerou forte reação de vereadores da oposição, como Inês Paz (PSOL), Iduigues Martins (PT) e Rodrigo Romão (PCdoB), que criticaram a fala e defenderam as famílias que vivem no local. Segundo eles, os ocupantes não estão ali por escolha, mas por necessidade.
Vereadores como Malu Fernandes (PL) e Otto Rezende (PSD) concordaram que a ocupação traz problemas, mas defenderam soluções habitacionais ao invés de remoção forçada. Eles sugeriram que Lintz retirasse o requerimento e reformulasse o pedido com outra abordagem. O parlamentar seguiu o conselho dos colegas e decidiu retirar a indicação, mas já disse que vai reapresentá-la na próxima semana.
O debate esquentou ainda mais quando Lintz e Iduigues Martins trocaram farpas sobre o tema, ampliando a discussão para um embate ideológico. O presidente da Câmara, Francimário Farofa (PL), precisou intervir para acalmar os ânimos e destacou que a Prefeitura deve encontrar uma solução equilibrada. No entanto, ele também defendeu que programas habitacionais priorizem famílias que já estão na fila da habitação, sem favorecer invasões.
A ocupação na Vila São Francisco começou em março de 2021 e hoje abriga mais de 200 famílias. A Justiça já proibiu novas construções no local, mas a situação segue indefinida. Moradores também reclamam que o lixo não é recolhido pela empresa responsável, o que estaria incentivando a queima de resíduos.














